Os traidores da Inconfidência: como morreram?

O levante nunca chegou a se concretizar nas ruas de Vila Rica, pois foi sufocado antes mesmo de eclodir

HiperHistória
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A Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789, foi um dos mais importantes movimentos anticoloniais do Brasil. O levante, no entanto, nunca chegou a se concretizar nas ruas de Vila Rica, pois foi sufocado de forma implacável antes mesmo de eclodir. O fracasso da conspiração deveu-se, de maneira decisiva, à traição de indivíduos que tinham conhecimento íntimo ou participavam diretamente do círculo revolucionário.

Esses delatores, movidos por interesses puramente pessoais, medo da repressão absolutista ou pelo desejo urgente de ter suas imensas dívidas perdoadas pela Coroa Portuguesa, optaram por entregar os próprios companheiros. A denúncia minuciosa dos planos forneceu às autoridades coloniais a vantagem necessária para prender os líderes e impedir a revolta arquitetada para o dia da “derrama”.

Os traidores da Inconfidência

O mais notório entre os traidores da pátria foi Joaquim Silvério dos Reis. Coronel, contratador de impostos e fazendeiro, ele havia acumulado dívidas astronômicas com a Fazenda Real ao longo dos anos. Vendo a oportunidade de se salvar da ruína financeira, Silvério usou a delação como moeda de troca oficial para obter o perdão completo de seus débitos, além de garantir privilégios futuros.

Enquanto Tiradentes foi enforcado e esquartejado como exemplo, Silvério dos Reis foi amplamente recompensado por Portugal. Ele recebeu o perdão financeiro, pensões vitalícias, o título de fidalgo e terras. Para fugir da hostilidade em Minas Gerais, mudou-se para a província do Maranhão, onde viveu como um homem prestigiado. Faleceu pacificamente de causas naturais em São Luís, no ano de 1819, aos 62 anos.

Outro delator fundamental para a ruína do movimento rebelde foi o tenente-coronel Basílio de Brito Malheiro do Lago. Temendo as consequências da revolução e buscando favores do governo, ele também procurou o Visconde de Barbacena para relatar os planos separatistas, precipitando a caça aos inconfidentes.

Assim como ocorreu com Silvério dos Reis, Basílio de Brito não conheceu a miséria, a prisão em masmorras ou o degredo na África. Ele continuou sua vida no Brasil colonial, mantendo integralmente sua patente militar e seu status social. Anos mais tarde, faleceu de causas naturais em sua própria cama, blindado pela mesma Coroa que ajudou a proteger.

O militar, explorador e abastado fazendeiro Inácio Correia de Pamplona completa o trio dos principais informantes. Homem de grande astúcia e influência na região, Pamplona atuou como espião e delator, repassando informações valiosas sobre as intenções do grupo para garantir que as autoridades portuguesas tivessem controle total sobre a situação em Minas Gerais.

A exemplo de seus companheiros de traição, Inácio Correia de Pamplona também morreu de causas naturais, desfrutando de uma velhice abastada e prestigiada. A grande ironia histórica deixada pela Inconfidência Mineira é que, enquanto seus heróis amargaram o exílio ou a morte brutal na forca, os delatores enriqueceram e morreram tranquilamente, colhendo em vida os frutos de sua traição.

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