Uma intensa atividade solar, marcada por uma sequência rara de erupções, colocou agências espaciais e operadores de telecomunicações em estado de alerta nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a NASA confirmaram que uma ejeção de massa coronal (CME), resultante de uma “megaerupção” ocorrida no início da semana, deve impactar o campo magnético da Terra entre hoje e amanhã, sexta-feira. O fenômeno é consequência direta de uma das semanas mais agitadas do atual ciclo solar.
A origem desta tempestade geomagnética está na mancha solar ativa identificada como AR 4366. Nos últimos três dias, esta região instável do Sol disparou não apenas uma, mas cinco erupções de Classe X — a categoria mais potente na escala de classificação científica. O destaque foi a explosão registrada na noite de domingo para segunda-feira, classificada como X8.1, a mais forte de 2026 até o momento. A magnitude deste evento surpreendeu os especialistas, pois erupções dessa intensidade são estatisticamente raras e liberam uma quantidade colossal de energia no sistema solar.
As características da tempestade solar
Para entender a gravidade, os cientistas classificam as explosões solares em letras (A, B, C, M e X), sendo a Classe X a mais extrema. Dentro dessa classe, a escala é numérica; portanto, uma X8.1 é significativamente mais poderosa que uma X1 ou X2. A radiação ultravioleta e os raios-X emitidos por essas explosões viajam à velocidade da luz e ionizam o topo da atmosfera terrestre quase instantaneamente, o que já causou apagões de rádio de ondas curtas em diversas partes do globo, afetando aviadores e radioamadores no lado iluminado do planeta no momento das explosões.
O que chega à Terra nestes próximos dias, no entanto, é a matéria física do Sol — nuvens de plasma magnetizado lançadas ao espaço durante as explosões. Embora a erupção X8.1 não tenha sido totalmente direcionada para a Terra, o impacto “tangencial” ou de raspão previsto para os dias 5 e 6 de fevereiro é suficiente para gerar tempestades geomagnéticas. A NOAA prevê impactos que podem variar de níveis menores (G1) a moderados, mas a imprevisibilidade desses eventos mantém os técnicos de redes elétricas e satélites em vigilância constante para evitar falhas em GPS e sistemas de navegação.
Um dos efeitos colaterais mais aguardados, e visualmente deslumbrantes, é a intensificação das auroras boreais e austrais. Com a chegada das partículas solares carregadas, a interação com a magnetosfera terrestre deve “supercarregar” esses fenômenos luminosos. A previsão é que as auroras possam ser vistas em latitudes muito mais baixas do que o habitual, possivelmente alcançando regiões do norte dos Estados Unidos e da Europa Central, oferecendo um espetáculo natural para observadores longe dos polos.
Instabilidade do sol
Este evento não é isolado, mas sim um sintoma do auge do Ciclo Solar 25. Os ciclos solares duram em média 11 anos, alternando entre períodos de calmaria e de máxima atividade. Atualmente, em 2026, estamos atravessando o “Máximo Solar”, o pico previsto deste ciclo. Durante esta fase, o campo magnético do Sol torna-se mais emaranhado e instável, aumentando a frequência de manchas solares e explosões como as observadas nesta semana na região AR 4366.
Apesar da magnitude dos números, as autoridades enfatizam que não há motivo para pânico generalizado na população. A infraestrutura moderna possui mecanismos de defesa contra tempestades solares moderadas e, embora interrupções pontuais em sinais de satélite possam ocorrer, eventos catastróficos são improváveis com a atual previsão. A NASA continua monitorando a mancha AR 4366, que permanece ativa e virada para a Terra, não descartando a possibilidade de novas erupções de Classe X nos próximos dias.
