O julgamento dos líderes nazistas, conhecido como o Tribunal de Nuremberg, foi um marco fundamental para o Direito Internacional e para a consolidação dos Direitos Humanos. Realizado entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946, ele buscou responsabilizar individualmente os arquitetos das atrocidades da Segunda Guerra Mundial.
Por que Nuremberg?
A escolha da cidade de Nuremberg não foi aleatória, baseando-se em dois pilares principais:
- Simbolismo: Nuremberg foi o berço do movimento nazista e o local onde as Leis de Nuremberg (que retiraram os direitos dos judeus) foram promulgadas em 1935. Realizar o julgamento ali significava enterrar o regime no mesmo local onde ele havia ganhado força institucional.
- Logística: O Palácio da Justiça de Nuremberg era um dos poucos edifícios administrativos de grande porte que permaneceram quase intactos após os bombardeios aliados. Além disso, possuía uma prisão anexa, facilitando o transporte e a segurança dos réus.
Como foi o Julgamento?
O processo foi conduzido pelo Tribunal Militar Internacional (TMI), composto por representantes das quatro potências aliadas: Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e França.
Estrutura e Inovações
- Juízes e Promotores: Cada país enviou um juiz titular e um suplente. O promotor-chefe dos EUA, Robert Jackson, foi uma figura central na organização das evidências.
- Tradução Simultânea: Pela primeira vez na história, utilizou-se um sistema de tradução simultânea em quatro línguas (inglês, francês, russo e alemão) para garantir que todos entendessem os procedimentos em tempo real.
- Acusações: Os réus foram indiciados em quatro categorias: Crimes contra a paz (planejar guerra de agressão), Crimes de guerra, Crimes contra a humanidade (extermínio e perseguição) e Conspiração.
O Destino dos Réus
No banco dos réus estavam 24 dos principais líderes remanescentes (Adolf Hitler, Joseph Goebbels e Heinrich Himmler cometeram suicídio antes do início e não foram julgados).
| Réu | Cargo Principal | Veredito / Fim |
| Hermann Göring | Comandante da Luftwaffe | Sentenciado à morte; cometeu suicídio com cianeto antes da execução. |
| Rudolf Hess | Substituto do Führer | Prisão perpétua; morreu na prisão de Spandau em 1987. |
| Joachim von Ribbentrop | Ministro do Exterior | Morte por enforcamento. |
| Wilhelm Keitel | Chefe do Alto Comando das Forças Armadas | Morte por enforcamento. |
| Ernst Kaltenbrunner | Chefe da RSHA (Gestapo/SS) | Morte por enforcamento. |
| Alfred Rosenberg | Ideólogo nazista | Morte por enforcamento. |
| Hans Frank | Governador-Geral da Polônia ocupada | Morte por enforcamento. |
| Wilhelm Frick | Ministro do Interior | Morte por enforcamento. |
| Julius Streicher | Editor do jornal Der Stürmer | Morte por enforcamento. |
| Hjalmar Schacht | Ministro da Economia (até 1937) | Absolvido. |
| Karl Dönitz | Grande Almirante da Marinha | 10 anos de prisão. |
| Albert Speer | Ministro de Armamentos | 20 anos de prisão. |
| Baldur von Schirach | Líder da Juventude Hitlerista | 20 anos de prisão. |
| Martin Bormann | Secretário do Partido Nazista | Morte à revelia (seus restos foram achados em 1972). |
Outros réus como Fritz Sauckel, Alfred Jodl e Arthur Seyss-Inquart também foram condenados à morte e executados em 16 de outubro de 1946. Erich Raeder e Walther Funk receberam prisão perpétua, mas foram libertados anos depois por motivos de saúde.
Você gostaria que eu fizesse um levantamento sobre os julgamentos subsequentes, como o “Julgamento dos Médicos” ou o caso de Adolf Eichmann em Israel?
O Julgamento de Nuremberg
Este vídeo explica detalhadamente o contexto histórico, as bases jurídicas e o impacto emocional dos depoimentos durante as sessões do tribunal.
