HiperHistória
AstronomiaCiência

O homem pisou realmente na Lua?

O homem pisou realmente na Lua? As respostas
Armstrong, Collins e Aldrin - NASA Human Space Flight Galler - Foto: Domínio Público

Sim, o homem de fato pisou na Lua. E não, não foi em um estúdio de Hollywood dirigido por Stanley Kubrick. Entre 1969 e 1972, doze astronautas caminharam em solo lunar, trouxeram centenas de quilos de rochas e deixaram para trás equipamentos que funcionam até hoje. Embora o ceticismo seja uma ferramenta saudável, as teorias da conspiração sobre o pouso lunar ignoram leis básicas da física e a montanha de evidências científicas acumuladas por décadas.

Um dos argumentos favoritos dos teóricos da conspiração é a bandeira que “tremula” no vácuo. Na realidade, a bandeira estava presa a uma haste horizontal em forma de “L” para permanecer estendida. O movimento que vemos nos vídeos é apenas a inércia: como não há ar para frear o tecido, ele continua balançando por um tempo após o astronauta soltá-lo. Não havia vento; havia apenas física pura em um ambiente de baixa gravidade.

Provas do pouso na Lua: A ciência contra os mitos

Outro ponto muito questionado são as sombras “irregulares”, que sugeririam múltiplos refletores de estúdio. No entanto, a Lua tem várias fontes de luz: o Sol (a principal), a própria Terra (que reflete luz solar de volta) e o solo lunar, que é altamente reflexivo. Essa combinação, somada às irregularidades do terreno, cria sombras que não são perfeitamente paralelas, algo que qualquer fotógrafo de paisagem consegue explicar sem recorrer a conspirações.

Sobre a ausência de estrelas nas fotos, o motivo é simples: exposição fotográfica. Os astronautas estavam sob a luz solar direta, vestindo trajes brancos brilhantes em um solo claro. Para capturar os detalhes deles sem “estourar” a imagem, a câmera precisava de um tempo de exposição curto. Se as câmeras tivessem sido configuradas para captar o brilho tênue das estrelas, os astronautas pareceriam borrões brancos sem definição.

Por fim, há quem cite os Cinturões de Van Allen (zonas de radiação intensa) como uma barreira intransponível. A NASA resolveu isso com trajetórias precisas e velocidade: as naves atravessaram as partes mais finas dos cinturões em menos de duas horas. A blindagem de alumínio da Apollo foi suficiente para que a dose de radiação recebida fosse equivalente a uma radiografia de tórax — desconfortável no longo prazo, mas longe de ser letal para uma viagem curta.

Por que o homem não voltou à Lua em 50 anos?

A pergunta “por que não voltamos?” é legítima, mas a resposta é pragmática: dinheiro e prioridades políticas. Na década de 60, o programa Apollo consumia quase 5% do orçamento federal dos EUA devido à Guerra Fria. Assim que a “corrida” contra a União Soviética foi vencida, o interesse público e o financiamento despencaram. Ir à Lua é estupendamente caro, e a NASA passou as décadas seguintes focada em ônibus espaciais e na Estação Espacial Internacional (ISS).

Além do fator financeiro, houve uma perda de infraestrutura. Não se trata de “perder a tecnologia”, mas sim de desativar as fábricas que construíam os gigantescos foguetes Saturno V e as cadeias de suprimentos específicas daquela época. Retornar agora exige construir tudo do zero com tecnologia moderna, o que é mais seguro, porém, demanda tempo para testes e certificações de segurança que não existiam com o mesmo rigor nos anos 60.

Missão Artemis: O retorno definitivo à superfície lunar

A boa notícia é que o hiato está acabando. O programa Artemis já é uma realidade e, em 2026, estamos mais perto do que nunca de ver seres humanos caminhando na Lua novamente. Diferente da Apollo, que era uma missão de “tocar e correr”, a Artemis foca na sustentabilidade. O objetivo agora é estabelecer uma base permanente e usar a Lua como um trampolim para Marte.

Hoje, temos o LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), uma sonda que orbita a Lua e tira fotos em alta resolução dos locais de pouso da Apollo. Nessas imagens, é possível ver as pegadas dos astronautas, os rastros dos jipes lunares e as bases dos módulos que ficaram por lá. Contra fotos de satélite modernas mostrando os artefatos exatamente onde deveriam estar, a teoria do estúdio de cinema simplesmente desmorona.

Em suma, a ida à Lua foi o triunfo de 400 mil pessoas que trabalharam no projeto e da coragem de quem subiu no foguete. Manter a dúvida por falta de informação é natural, mas ignorar as evidências físicas e as novas missões que estão partindo agora é fechar os olhos para um dos maiores feitos da nossa espécie.

Leia também

Missão DART: É possível desviar um asteroide?

HiperHistória

NASA revela aumento inesperado na atividade solar

HiperHistória

Lado oculto da Lua: por que sempre vemos a mesma face

HiperHistória

NASA atualiza dados sobre asteroide que pode atingir a Lua

HiperHistória

“Eclipse total da Lua acontece nesta sexta; veja”

HiperHistória

“Lua de Sangue”: onde ver o eclipse lunar de março

HiperHistória

Usamos cookies para melhorar sua experiência, analisar tráfego e personalizar conteúdo. Ao continuar, você concorda. Ok Leia mais