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Gestalt: conheça a teoria psicológica alemã

Gestalt: conheça a teoria psicológica alemã
Foto: Google Gemini/HiperHistória

A Gestalt, termo alemão que pode ser traduzido como “forma” ou “figura”, é uma escola de psicologia que surgiu no início do século XX na Alemanha. Seu princípio fundamental postula que a mente humana tende a perceber objetos e cenas como estruturas organizadas e completas, em vez de uma simples soma de partes isoladas. A frase célebre que resume esse movimento, atribuída ao psicólogo Kurt Koffka, é: “O todo é diferente da soma das partes”. Isso significa que nossa percepção acrescenta uma dimensão de organização e significado que não está presente nos componentes individuais separadamente.

Historicamente, a Gestalt desenvolveu-se como uma reação ao estruturalismo, uma corrente da época que tentava compreender a mente humana quebrando os processos mentais em seus elementos mais básicos. Os fundadores da Gestalt — Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka — argumentavam que essa abordagem reducionista falhava em explicar a experiência humana real. Para eles, a percepção é um processo holístico; quando olhamos para uma árvore, não vemos “tronco + galhos + folhas” separadamente, mas sim a “árvore” como uma entidade única e imediata.

Cérebro como “organizador” ativo

No centro da teoria da Gestalt está a ideia de que o cérebro é um “organizador” ativo. Diante do caos de estímulos visuais que recebemos a todo momento, nossa mente busca padrões, regularidade e simplicidade para dar sentido ao mundo. Esse processo é automático e inconsciente. A teoria sugere que existem leis universais de organização perceptual que ditam como agrupamos elementos visuais para formar objetos reconhecíveis.

Duas das leis mais conhecidas são a Lei da Proximidade e a Lei da Semelhança. A Lei da Proximidade afirma que elementos que estão fisicamente próximos uns dos outros tendem a ser percebidos como um grupo ou unidade. Já a Lei da Semelhança dita que objetos que compartilham características visuais, como cor, forma ou tamanho, são vistos como pertencentes ao mesmo conjunto. É por isso que, em uma lista de bolinhas vermelhas e azuis misturadas, nosso cérebro agrupa as cores iguais automaticamente.

Outros princípios fundamentais incluem o Fechamento e a Continuidade. A Lei do Fechamento explica nossa habilidade de “completar” figuras que estão incompletas ou interrompidas; o cérebro preenche os espaços vazios para criar uma forma inteira, como quando vemos um círculo desenhado com linhas tracejadas e o entendemos como um círculo. A Lei da Continuidade, por sua vez, sugere que nossos olhos preferem seguir linhas e curvas contínuas e suaves, em vez de mudanças bruscas de direção, guiando nosso olhar mediante uma composição visual.

Conceito da Gestalt

Um conceito vital para a Gestalt é a relação Figura-Fundo e a Lei da Pregnância. A relação Figura-Fundo descreve a tendência do sistema visual em simplificar uma cena separando o objeto principal (figura) do que está atrás dele (fundo); ilusões de ótica famosas, como a do vaso de Rubin (que pode ser visto como um vaso ou dois rostos), exploram essa alternância. A Lei da Pregnância, ou da “Boa Forma”, resume tudo: percebemos as imagens da maneira mais simples, regular e simétrica possível, exigindo o menor esforço cognitivo.

Atualmente, os princípios da Gestalt transcendem a psicologia clínica e são pilares fundamentais no design gráfico, arquitetura, cinema e na interface do usuário (UI/UX). Designers utilizam essas leis para criar layouts intuitivos, garantindo que a informação seja consumida de forma clara e hierárquica. Além disso, a Gestalt influenciou a terapia (Gestalt-terapia), que foca na experiência do indivíduo no momento presente e na sua totalidade, provando que a compreensão da “forma” continua essencial para entendermos a natureza humana.

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