A missão DART (Double Asteroid Redirection Test), realizada pela NASA em 2022, tornou-se um marco histórico por representar o primeiro teste real de defesa planetária já executado pela humanidade. Seu objetivo era simples na teoria, mas extremamente complexo na prática: desviar levemente um asteroide, provando que a técnica de impacto cinético poderia funcionar caso, no futuro, um corpo celeste ameaçasse colidir com a Terra. O alvo escolhido foi Dimorphos, um pequeno asteroide de aproximadamente 160 metros de diâmetro que orbita um corpo maior, Didymos, formando um sistema binário. Por se tratar de um sistema duplo, qualquer alteração na órbita de Dimorphos poderia ser medida com precisão a partir de observatórios terrestres.
Missão DART
O lançamento da DART ocorreu em novembro de 2021, a bordo de um foguete Falcon 9. A espaçonave era relativamente pequena — pouco mais de 600 kg — e carregava instrumentos simples, mas extremamente eficientes, como a câmera DRACO, essencial para navegação e para o impacto final. Após quase um ano de viagem, em 26 de setembro de 2022, a sonda realizou sua manobra final, iniciando a aproximação direta rumo ao asteroide. Conforme avançava, a câmera transmitia imagens em tempo real, revelando Dimorphos com detalhes inéditos. A missão tinha um único propósito: colidir a alta velocidade contra o asteroide e medir o quanto sua órbita seria alterada.
O impacto ocorreu a cerca de 22.500 km/h, destruindo completamente a sonda, como previsto. Observatórios da Terra e missões espaciais registraram um grande jato de detritos expelidos de Dimorphos após a colisão. Esse fenômeno ajudou a amplificar o efeito da pancada inicial, funcionando como uma espécie de “propulsão natural” adicional. Dias depois, os astrônomos confirmaram que a missão havia sido um sucesso: o período orbital de Dimorphos ao redor de Didymos foi reduzido em 32 minutos, uma alteração significativa e muito maior do que o mínimo necessário para confirmar a eficácia técnica.
O aprimoramento da missão
Esse resultado demonstrou que o impacto cinético é, de fato, uma estratégia viável de defesa planetária, especialmente para objetos de médio porte detectados com antecedência suficiente. A missão também abriu caminho para novas análises, como o estudo da estrutura interna de Dimorphos, da coesão do material e do comportamento dos detritos. Tais dados são essenciais para aprimorar simulações que determinam o melhor método de desvio dependendo do tipo de asteroide.
Após o impacto, uma segunda missão — a europeia Hera, prevista para 2026 — foi programada para visitar o sistema Didymos e investigar os efeitos do choque de perto. Com a DART, a humanidade demonstrou que não está indefesa diante de potenciais ameaças espaciais. A missão representou não apenas um teste tecnológico, mas um avanço histórico na capacidade de proteger o planeta.
