HiperHistória
Notícias

Como era Salvador, capital do Brasil?

Como era a Salvador capital do Brasil?
Foto: Gov/BA

Durante mais de dois séculos, Salvador foi a capital do Brasil, de 1549 até 1763. Fundada por Tomé de Sousa, a cidade nasceu com o objetivo de ser o centro administrativo da colônia portuguesa na América. Sua posição estratégica na Baía de Todos-os-Santos facilitava tanto a defesa militar quanto o comércio atlântico, tornando-a um dos principais portos do mundo luso.

Com a instalação do governo-geral, Salvador atraiu grande número de portugueses. Comerciantes, funcionários da Coroa, clérigos e aventureiros desembarcavam em busca de fortuna. A presença lusitana era dominante na administração e nas atividades mercantis, mas logo se misturou à população indígena e africana, que também compunham o cenário social e cultural da cidade.

A vida cultural e o papel das igrejas

Os espaços culturais de Salvador no período colonial estavam ligados, em grande parte, à Igreja Católica. Colégios e conventos, como o dos jesuítas e o de São Bento, eram centros de ensino e produção intelectual. Neles se estudavam latim, filosofia, teologia e até ciências práticas, sempre sob a orientação religiosa. O teatro e a música sacra também floresciam, principalmente nas festas religiosas que mobilizavam toda a cidade.

A religiosidade era o eixo da vida cotidiana. Salvador ficou conhecida como a “Roma Negra” devido à impressionante quantidade de igrejas. A cada bairro, praticamente, havia um templo católico, construído por ordens religiosas como franciscanos, carmelitas e beneditinos. Além de locais de culto, as igrejas eram espaços de sociabilidade, onde se organizavam irmandades que reuniam brancos, negros e mestiços.

Como era a Salvador capital do Brasil?
Tomada da cidade de São Salvador século XVIII

Diversidade religiosa e o nascimento do candomblé

Embora a Igreja Católica fosse oficial e dominante, a religiosidade popular era muito mais plural. Os africanos escravizados trouxeram suas crenças, que resistiram à repressão e começaram a se organizar de forma velada, muitas vezes associadas a santos católicos. Assim, ao mesmo tempo em que participavam das irmandades religiosas, preservavam práticas herdadas de suas terras de origem.

Os primeiros terreiros de candomblé começaram a surgir discretamente em Salvador ainda no período colonial, mas se consolidaram mais fortemente no século XIX. No entanto, já na época em que a cidade era capital havia sinais da resistência cultural africana, principalmente em rituais domésticos e cultos escondidos nos quintais. Essa fusão entre catolicismo e tradições africanas moldaria uma identidade única da religiosidade baiana.

Cultura da capital brasileira

A cidade também respirava cultura por meio das festas populares, que misturavam devoção e celebração. Procissões, autos teatrais e festividades como o Corpus Christi mobilizavam tanto a elite quanto o povo. Ao mesmo tempo, os mercados e ruas eram espaços de encontro cultural, com músicas, danças e práticas trazidas da África.

Portanto, Salvador enquanto capital do Brasil foi um centro pulsante de poder, fé e diversidade cultural. Dominada pelos portugueses, mas profundamente marcada pela presença africana e indígena, a cidade construiu uma identidade única. Entre igrejas monumentais e os primeiros sinais do candomblé, Salvador consolidou-se como o coração espiritual e cultural da colônia portuguesa nas Américas.

Leia também

Festa de Iemanjá 2026: a cobertura do HiperHistória

Mailson Ramos

A chegada da Família Real Portuguesa ao Rio

HiperHistória

Tieta do Agreste: sucesso literário, na TV e no cinema

HiperHistória

A Igreja Católica e a Independência do Brasil

Mailson Ramos

Dom João VI, Carlota Joaquina e a Independência do Brasil

Mailson Ramos

A família real portuguesa entre Brasil e Portugal

HiperHistória

Usamos cookies para melhorar sua experiência, analisar tráfego e personalizar conteúdo. Ao continuar, você concorda. Ok Leia mais