A Independência do Brasil não foi apenas um processo político e militar, mas também um fenômeno cultural. Pintores do século XIX desempenharam papel fundamental na fixação da memória do 7 de setembro. Entre eles, destacam-se Jean-Baptiste Debret Pedro Américo, e outros artistas que transformaram os acontecimentos em imagens que ainda hoje habitam o imaginário coletivo.
Pedro Américo, com sua tela monumental “Independência ou Morte!” (1888), foi responsável pela representação mais conhecida do episódio. Pintada décadas após o fato, a obra não buscou a exatidão histórica, mas sim transmitir um ideal heroico e nacionalista. O imperador surge em pose majestosa, cercado por guardas, cavalos e bandeiras, em uma cena épica que jamais ocorreu exatamente daquela forma.
Debret e o olhar documental
Já Jean-Baptiste Debret, integrante da Missão Artística Francesa que chegou ao Rio em 1816, retratou o Brasil de maneira quase documental. Suas aquarelas mostravam o cotidiano da corte, os costumes do povo e também eventos políticos ligados ao processo de emancipação. Sua obra foi essencial para que as futuras gerações visualizassem aspectos da sociedade brasileira naquele período.

Outros nomes também contribuíram para a construção dessa memória visual. Manuel de Araújo Porto-Alegre, discípulo de Debret, atuou como pintor e crítico, consolidando uma vertente nacional na pintura histórica. Já artistas como Simplício Rodrigues de Sá e Victor Meirelles reforçaram a estética acadêmica que valorizava cenas grandiosas e símbolos de poder.
Arte, política e memória nacional
Esses trabalhos não devem ser entendidos apenas como registros artísticos, mas também como instrumentos políticos. Ao exaltar o papel de Dom Pedro I e embelezar os fatos, as pinturas ajudaram a consolidar uma narrativa de unidade nacional e a projetar uma identidade para o Brasil independente.
Até hoje, o quadro de Pedro Américo decora o Museu do Ipiranga e se tornou símbolo oficial do 7 de setembro, enquanto as aquarelas de Debret circulam em livros escolares e exposições. Assim, a arte do século XIX não apenas retratou a Independência: ela construiu, em grande parte, a forma como a lembramos.
