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A história de Osíris na mitologia egípcia

A história de Osíris na mitologia egípcia
Osíris em uma pintura do túmulo de Pashedu, século XIII a.C.

Osíris ocupa um lugar central como deus da fertilidade, da vegetação e, sobretudo, do além-vida na mitologia egípcia. Ele representava o ciclo da natureza, a morte e o renascimento, sendo associado ao rio Nilo e às colheitas que garantiam a sobrevivência do Egito. Filho de Geb (deus da terra) e Nut (deusa do céu), Osíris teria reinado como um rei justo, civilizando os homens e ensinando-os a agricultura, as leis e o culto aos deuses.

Sua história, no entanto, é marcada pela traição de seu irmão Set, deus do caos e da violência. Invejoso do prestígio e da bondade de Osíris, Set armou uma emboscada. Preparou um sarcófago feito sob medida e, em um banquete, prometeu dá-lo a quem coubesse perfeitamente dentro dele. Quando Osíris deitou, Set e seus cúmplices fecharam a tampa e lançaram o caixão no Nilo, dando início ao mito de sua morte.

A morte de Osíris

A esposa e irmã de Osíris, Ísis, desempenhou um papel fundamental no mito. Movida pelo amor e pela devoção, percorreu o Egito à procura do corpo do marido. Após encontrá-lo, procurou meios mágicos para reanimá-lo temporariamente, concebendo assim o filho do casal: Hórus. A dedicação de Ísis e sua habilidade mágica transformaram-na em uma das figuras mais veneradas da religião egípcia.

Mas Set não desistiu de eliminar Osíris. Ao descobrir onde estava o corpo, cortou-o em várias partes e espalhou-as pelo Egito. Ísis, auxiliada por sua irmã Néftis e pelo deus Anúbis, recolheu cada pedaço e reconstituiu o corpo do marido. A partir dessa recomposição ritual, Anúbis instituiu as primeiras práticas de embalsamamento, e Osíris tornou-se o primeiro ser a ser mumificado, marcando o vínculo entre mito e os costumes funerários egípcios.

Após essa transformação, Osíris não voltou a reinar no mundo dos vivos, mas foi elevado à condição de senhor do além-túmulo e juiz das almas no Duat, o reino dos mortos. Ali, presidia o julgamento dos falecidos, que deveriam ter seus corações pesados na balança de Maat. Dessa forma, Osíris se tornou símbolo da vida eterna e da esperança na ressurreição.

O olho de Hórus

Seu filho Hórus, concebido por Ísis após a morte do pai, assumiu a missão de vingar Osíris e enfrentar Set. As batalhas entre Hórus e seu tio marcaram um dos grandes ciclos míticos egípcios. Embora Hórus tenha perdido um olho na luta — que depois foi curado por Tot — ele conseguiu derrotar Set e restabelecer a ordem. O “Olho de Hórus” tornou-se um dos amuletos mais poderosos e populares do Egito antigo, símbolo de proteção, saúde e poder real.

A mitologia de Osíris sintetiza temas essenciais para os egípcios: a luta entre ordem e caos, a vida e a morte, a esperança de renovação e a legitimidade do poder real. Cada faraó era considerado a encarnação de Hórus em vida e, ao morrer, identificado com Osíris, perpetuando esse ciclo divino. O mito, transmitido por gerações, unia religião, política e rituais funerários, sustentando a base espiritual de uma das civilizações mais duradouras da Antiguidade.

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