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O que a ciência diz sobre o dilúvio universal?

O que a ciência diz sobre o dilúvio universal?
Arca de Noé (1846), do pintor americano Edward Hicks

O relato do dilúvio universal, narrado no livro do Gênesis, é um dos episódios mais conhecidos da Bíblia. Nele, Deus teria enviado um grande dilúvio para destruir a humanidade, preservando apenas Noé, sua família e os animais salvos na arca. Para a tradição judaico-cristã, esse acontecimento é visto como um marco da justiça divina e da renovação da vida na Terra. Contudo, a ciência moderna olha para o episódio sob outra perspectiva, buscando explicar se teria havido algum evento histórico que inspirou a narrativa.

Muitos cientistas consideram improvável a ocorrência de um dilúvio que cobriu toda a Terra, como descrito literalmente. Estudos geológicos não apontam para uma inundação global em tempos históricos que tivesse destruído toda a vida. Porém, há evidências de grandes enchentes regionais que poderiam ter marcado profundamente a memória das civilizações antigas. Uma das hipóteses mais discutidas é a do transbordamento do Mar Negro, cerca de 7.000 anos atrás, que teria inundado vastas áreas e impactado populações locais.

Uma segunda hipótese sobre o dilúvio

Outra explicação recai sobre o Crescente Fértil, região onde surgiram as primeiras grandes civilizações. Ali, rios como o Tigre e o Eufrates frequentemente transbordavam, provocando enchentes devastadoras. É possível que essas experiências tenham sido transmitidas oralmente e, ao longo do tempo, transformadas em relatos mitológicos. Não por acaso, histórias semelhantes ao dilúvio aparecem em textos da Mesopotâmia, como a Epopeia de Gilgamesh, escrita séculos antes da Bíblia.

Sobre a arca, arqueólogos e engenheiros debatem sua plausibilidade. O relato bíblico fornece medidas exatas da embarcação, o que intrigou estudiosos ao longo dos séculos. Estruturas desse porte em madeira seriam difíceis de manter estáveis, segundo a engenharia naval moderna, embora não sejam impossíveis em teoria. Diversas expedições já afirmaram ter encontrado vestígios da arca no Monte Ararate, na atual Turquia, mas nenhuma descoberta foi confirmada pela ciência de forma conclusiva.

Quanto à figura de Noé, os estudiosos o tratam como um personagem literário ou mítico, representando um ancestral justo que sobreviveu a uma catástrofe. Assim como em outros mitos de dilúvio pelo mundo, ele pode simbolizar um chefe tribal ou líder que conduziu seu povo durante um desastre natural. Sua história, então, teria sido preservada e reelaborada pela tradição oral até ganhar o formato que conhecemos no Gênesis.

O evento como um símbolo

Ainda assim, alguns estudiosos de religião apontam que o valor do relato não está na sua literalidade, mas no seu significado simbólico. A narrativa do dilúvio fala sobre a renovação, a esperança e a aliança entre Deus e a humanidade. Mesmo que a ciência não confirme a ocorrência de um dilúvio global, o texto mantém força como mito fundador de valores éticos e espirituais.

Portanto, a visão científica sobre o dilúvio, a arca e Noé é cautelosa: não há provas de que tenham existido exatamente como descritos, mas há indícios de eventos naturais que podem ter inspirado a tradição. Para a fé, porém, a história continua sendo um testemunho da ação divina na história humana. Nesse diálogo entre ciência e religião, o dilúvio permanece uma das narrativas mais fascinantes da humanidade, combinando memória, mito e espiritualidade.

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