O Brasil mantém-se como o maior produtor de café do mundo, responsável por cerca de 31% da produção global em 2023, o equivalente a aproximadamente 3,41 milhões de toneladas de grãos verdes. Esse protagonismo é acompanhado por um forte consumo interno, colocando o país na segunda posição mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. O café brasileiro é exportado para mais de 100 países, movimentando bilhões de dólares por ano e garantindo ao setor um papel essencial na economia nacional.
Em 2022, as exportações alcançaram 2,2 milhões de toneladas, com valor estimado em US$ 9,2 bilhões. A produção ocupou uma área de 2,26 milhões de hectares, com expectativa de 54,94 milhões de sacas de 60 quilos para 2023, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esses números refletem a força de uma cadeia produtiva que vai do pequeno agricultor às grandes indústrias, sustentando milhares de empregos diretos e indiretos.
Tipos de café produzidos no Brasil
O café brasileiro é amplamente dominado pelo Coffea arabica, responsável por cerca de 69% da produção nacional. Esse tipo é valorizado por seu sabor mais suave e aroma complexo, sendo muito apreciado no mercado internacional. Ao lado dele, o Coffea canephora — conhecido como conilon ou robusta — vem ganhando relevância, especialmente em regiões de clima mais quente e baixa altitude, oferecendo maior produtividade e resistência a pragas.
Para a safra 2024/25, a produção nacional foi estimada em 69,9 milhões de sacas, sendo 48,2 milhões de arábica e 21,7 milhões de conilon. Já para 2025/26, as projeções indicam 65 milhões de sacas, com um leve aumento na participação do robusta. Essa diversificação permite ao Brasil atender diferentes demandas do mercado, tanto para cafés especiais quanto para blends e solúveis.
Incentivos à agricultura familiar
Grande parte do café brasileiro é cultivado em propriedades familiares, que desempenham papel fundamental na manutenção da tradição cafeeira e na economia rural. Essas pequenas e médias propriedades garantem não apenas a produção, mas também a preservação de práticas agrícolas sustentáveis e o fortalecimento das comunidades do interior.
Para apoiar esse segmento, o governo federal mantém programas como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que oferece linhas de crédito especiais, assistência técnica e acesso a tecnologias de produção. Iniciativas como a ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) auxiliam no aumento da produtividade e na melhoria da qualidade do café produzido por agricultores familiares.
Um papel social do café
Além do suporte técnico e financeiro, políticas públicas voltadas para a infraestrutura rural, como estradas, acesso a água, eletrificação e internet, contribuem para que as famílias produtoras consigam escoar melhor sua produção e se integrar a cadeias de valor mais amplas. Essas medidas também favorecem a permanência das novas gerações no campo, combatendo o êxodo rural.
A soma da liderança na produção, da diversidade de tipos de café e dos incentivos à agricultura familiar mantém o Brasil em posição estratégica no mercado global. O país não apenas fornece grandes volumes para o comércio internacional, mas também valoriza o consumo interno e investe na qualidade, consolidando sua imagem como referência mundial no setor cafeeiro.
