Os EUA foram um dos primeiros países do mundo a reconhecer a Independência do Brasil, ocorrida em 7 de setembro de 1822. O reconhecimento foi realizado em 26 maio de 1824, quando o então presidente norte-americano James Monroe recebeu José Silvestre Rebello, o Encarregado de Negócios do Império Brasileiro.
Embora o Brasil tenha proclamado sua independência em 1822, os EUA demoraram alguns anos para formalizar o reconhecimento, em parte por cautela em relação à instabilidade política da nova nação e à sua forma de governo — uma monarquia constitucional, em contraste com a república americana. Ainda assim, o reconhecimento demonstrou o interesse dos EUA em consolidar laços com as novas nações latino-americanas que emergiam após o colapso do domínio colonial europeu.
A doutrina Monroe nos EUA
Desde o início do século XIX, os Estados Unidos vinham se posicionando como simpatizantes das independências latino-americanas. Esse posicionamento ganhou força com a Doutrina Monroe, proclamada em 1823, que estabelecia que qualquer intervenção europeia nas Américas seria vista como uma ameaça aos interesses americanos.
Reconhecer o Brasil, portanto, também era uma forma de sinalizar apoio ao princípio de autodeterminação dos povos e afirmar a presença diplomática norte-americana na América do Sul. Ainda que o Brasil fosse uma monarquia governada por Dom Pedro I, o governo americano optou por priorizar a estabilidade e as oportunidades comerciais.
O Brasil, por sua vez, recebeu a decisão como um gesto positivo, já que o apoio de uma potência estrangeira reforçava a legitimidade internacional do novo Império perante outras nações. A decisão também ajudava a enfraquecer a resistência de Portugal e de seus aliados europeus, que relutavam em aceitar a emancipação brasileira.
No campo comercial, os Estados Unidos já mantinham relações com o Brasil desde o período colonial, especialmente na exportação de algodão, açúcar e tabaco. O reconhecimento da independência abriu caminho para acordos formais de comércio e navegação, com benefícios mútuos.
O Brasil se mostrava um país importante para os EUA
A posição geográfica do Brasil e sua importância estratégica como fornecedor de matérias-primas tornavam o país um parceiro atraente para os interesses econômicos dos EUA, que buscavam expandir sua influência além do Caribe e da América Central.
Por fim, a decisão americana teve impactos duradouros na construção da diplomacia brasileira. O reconhecimento dos EUA impulsionou o prestígio do Império do Brasil e serviu de modelo para a conquista de outros reconhecimentos internacionais. Com isso, os laços entre Brasil e EUA se aprofundaram ao longo do século XIX, marcando o início de uma relação bilateral que, apesar de períodos de distanciamento e conflito de interesses, permaneceu estável e pragmática durante grande parte da história moderna.
