Papa Leão XI teve um dos pontificados mais curtos da história da Igreja Católica, durando apenas dez dias em abril de 1605. Antes de ascender ao trono de São Pedro, ele era Alessandro Ottaviano de’ Medici, membro da poderosa e influente família Medici de Florença, a mesma que deu à Igreja o Papa Leão X e inúmeros cardeais e bispos. Nasceu em 2 de junho de 1535 e foi criado em um ambiente profundamente religioso e político.
Alessandro iniciou sua carreira eclesiástica por influência do tio-avô, o Papa Leão X. Demonstrando inteligência, diplomacia e religiosidade, foi nomeado arcebispo de Florença em 1574 e, posteriormente, núncio apostólico na França entre 1596 e 1600. Durante sua missão diplomática na corte de Henrique IV, desempenhou um papel importante na aproximação entre a França e a Santa Sé após as tensões causadas pelas guerras religiosas e pelo protestantismo. Seu trabalho contribuiu para restaurar relações políticas e religiosas, e ele ganhou reputação como mediador hábil e prudente.
Em 1600, foi feito cardeal pelo Papa Clemente VIII e passou a integrar o Colégio Cardinalício com destaque, mantendo sua influência em assuntos diplomáticos. Quando Clemente faleceu, em março de 1605, o conclave que se seguiu foi tenso e cheio de intrigas, especialmente entre as facções pró-francesas e pró-espanholas. Alessandro Medici foi visto como uma figura conciliadora entre esses dois polos de influência e, com o apoio francês e da facção florentina, foi eleito em 1º de abril de 1605. Escolheu o nome Leão XI em homenagem ao tio-avô.
Saúde frágil de Leão XI
Porém, Leão XI já era um homem idoso e de saúde frágil. A cerimônia de coroação, que ocorreu em 10 de abril sob intensa chuva, parece ter agravado sua condição. Logo após o evento, ele adoeceu com febre e fraqueza, apresentando sintomas que hoje alguns historiadores interpretam como pneumonia. Leão XI faleceu no dia 27 de abril de 1605, apenas dez dias após a coroação e vinte e seis dias após sua eleição. Seu corpo foi sepultado na Basílica de São Pedro, em Roma.
Por sua curta duração, Leão XI ficou conhecido como “o papa dos dez dias”. Embora não tenha tido tempo para implementar reformas ou emitir documentos importantes, sua eleição reflete o jogo de forças políticas dentro do Vaticano na virada do século XVII. Sua morte precoce abriu espaço para a eleição de Paulo V, que governaria a Igreja por mais de quinze anos. Leão XI permanece como uma figura de transição, lembrada mais por sua brevidade do que por atos papais concretos.
