HiperHistória
História

Pompeia: a tragédia do Vesúvio

O último dia de Pompeia: a tragédia do Vesúvio
Pintura de Karl Pavlovitch Briullov (Charles Bruleau)

No dia 24 de agosto do ano 79 d.C. — embora alguns estudiosos apontem para outubro — a cidade romana de Pompeia acordou como qualquer outro dia. Localizada no sul da Itália, aos pés do Monte Vesúvio, Pompeia era uma cidade próspera, repleta de mercados, casas luxuosas, termas e templos. Seus habitantes, cerca de 20 mil, viviam sob uma aparente tranquilidade, sem imaginar que estavam prestes a enfrentar uma das maiores tragédias naturais da Antiguidade.

Por volta das 10 horas da manhã, o chão tremeu violentamente. O Monte Vesúvio, que não dava sinais de atividade havia séculos, entrou em erupção com uma força devastadora. Uma nuvem negra de fumaça, cinzas e gases tóxicos subiu por mais de 20 quilômetros de altura, sendo visível a quilômetros de distância. Plínio, o Jovem, um dos poucos que registrou o acontecimento em cartas, descreveu uma coluna em forma de pinheiro que subia ao céu.

Durante as primeiras horas, a erupção lançou pedras-pomes e cinzas incandescentes, destruindo tetos e sufocando os moradores. Muitos tentaram fugir pelas estradas, em direção ao mar ou às montanhas. Outros buscaram abrigo em casa, acreditando que a tragédia passaria. No entanto, ao anoitecer, uma segunda fase ainda mais letal teve início: as nuvens piroclásticas — misturas de gases superaquecidos, cinzas e fragmentos de rocha — desceram do vulcão em altíssima velocidade, engolindo tudo pelo caminho. Foi esse fluxo ardente, com temperaturas superiores a 300 °C, que matou milhares em segundos, muitas vezes deixando seus corpos petrificados nas posições em que morreram.

Pompeia soterrada

Em poucas horas, Pompeia e a cidade vizinha de Herculano foram completamente soterradas. O céu escureceu, o mar se agitou, e a vida naquela região desapareceu sob uma camada de mais de seis metros de cinzas e pedra. As cidades permaneceram esquecidas por quase 1.700 anos, até serem redescobertas no século XVIII. Escavações revelaram casas intactas, afrescos vibrantes, utensílios do cotidiano e até mesmo os moldes dos corpos das vítimas, formados pelas cavidades deixadas na cinza endurecida.

O último dia de Pompeia tornou-se símbolo da força imprevisível da natureza e da fragilidade da vida humana. Hoje, as ruínas da cidade servem como um museu a céu aberto, preservando não apenas a arte e a arquitetura romanas, mas também um instante congelado no tempo — o momento exato em que a vida parou diante da fúria do Vesúvio. Uma lembrança poderosa da impermanência e da tragédia que o mundo natural pode impor.

Leia também

As 5 pinturas de Leonardo Da Vinci

HiperHistória

Conheça 10 curiosidades sobre a Basílica de São Pedro

HiperHistória

Porcini: o rei dos cogumelos

HiperHistória

A história do azeite de oliva

HiperHistória

Usamos cookies para melhorar sua experiência, analisar tráfego e personalizar conteúdo. Ao continuar, você concorda. Ok Leia mais