A transição da Pérsia para o Irã foi um processo histórico, político e simbólico que culminou oficialmente em 1935, quando o governo do xá Reza Pahlavi solicitou às nações estrangeiras que passassem a usar o nome “Irã” em vez de “Pérsia” nos documentos oficiais e relações diplomáticas. Essa mudança, no entanto, tem raízes mais profundas, ligadas à identidade nacional, ao nacionalismo moderno e ao desejo de afirmação internacional.
Historicamente, o termo “Pérsia” tem origem nos antigos gregos, que chamavam a região de “Persis” (referente à província de Fars, berço do Império Aquemênida de Ciro, o Grande). Desde então, o nome Pérsia passou a ser usado no Ocidente para designar todo o território e o povo que habitava o vasto império, apesar de os próprios persas se referirem à sua terra natal como “Irã” há séculos. “Irã” vem de “Aryānām”, um termo avéstico que significa “terra dos arianos”, refletindo a identidade indo-europeia dos povos iranianos.
De pérsia para Irã
Durante o século XIX e início do século XX, a Pérsia sofria pressão imperialista, principalmente da Rússia e da Grã-Bretanha, e enfrentava crises internas de instabilidade política. Em 1925, Reza Khan, um militar ambicioso, assumiu o trono como Reza Xá Pahlavi, após depor a dinastia Qajar. Ele buscava modernizar e centralizar o país, inspirando-se na Turquia de Atatürk. Como parte de seu programa de reformas nacionalistas, Reza Xá promoveu a substituição de símbolos e costumes considerados “atrasados” ou excessivamente orientados ao Ocidente.
Foi nesse contexto que, em 1935, o governo solicitou formalmente às nações estrangeiras que usassem o nome “Irã” em vez de “Pérsia“. A mudança visava reforçar uma identidade nacional unificada, conectada ao passado pré-islâmico glorioso, sobretudo ao Império Aquemênida e à herança ariana. Além disso, pretendia marcar uma ruptura com o estereótipo romântico e orientalista da “Pérsia das Mil e Uma Noites”, ainda comum na visão europeia.
Apesar da mudança oficial, o nome “Pérsia” continuou a ser amplamente usado, especialmente fora do país, por associações culturais, exilados e artistas. Na década de 1950, sob o reinado de Mohammad Reza Pahlavi, filho de Reza Xá, houve até discussões para permitir o uso alternado dos dois nomes. No entanto, “Irã” prevaleceu como nome oficial.
Portanto, a mudança de Pérsia para Irã foi mais do que uma simples troca de nome. Representou um esforço político para consolidar o nacionalismo, afirmar soberania cultural e redefinir a imagem do país em um mundo cada vez mais globalizado e moderno.
