Robert Duvall, um dos mais respeitados atores do cinema americano, faleceu no domingo, 15 de fevereiro de 2026, aos 95 anos. A notícia foi confirmada por sua esposa, Luciana Duvall, por meio de uma publicação na página oficial do ator no Facebook, na qual ela afirmou que ele “partiu pacificamente em casa, cercado por amor e conforto”. O ator residia em Middleburg, na Virgínia, onde viveu seus últimos anos longe dos holofotes de Hollywood.
Nascido em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, Califórnia, Duvall cresceu em bases militares ao redor dos Estados Unidos, filho de um contra-almirante da Marinha. Sua formação para o teatro começou na Neighborhood Playhouse, em Nova York, onde estudou com o renomado instrutor Sanford Meisner. Na época, dividiu apartamento com Dustin Hoffman e cultivou amizades duradouras com Gene Hackman e James Caan — todos nomes que se tornariam lendas do cinema. Essa geração de atores ajudou a redefinir o estrelato americano na década de 1970.
Estreia de Robert Duvall no cinema
Sua estreia no cinema, aos 31 anos, foi discreta, mas marcante: interpretou Arthur “Boo” Radley em “Matar um Rouxinol” (1962), de Robert Mulligan. Sem uma única linha de diálogo, Duvall conseguiu transmitir uma transformação impressionante, convertendo a figura temida do recluso em alguém que irradiava bondade em poucos segundos de tela. Esse talento para criar personagens complexos com economia de gestos se tornaria sua marca registrada ao longo das décadas seguintes.
Foi, no entanto, sua parceria com Francis Ford Coppola que o consagrou como um dos grandes atores de sua geração. Em “O Poderoso Chefão” (1972), Duvall deu vida a Tom Hagen, o consigliere calculista e leal da família Corleone, papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Ele reprisou o personagem na sequência de 1974, expandindo ainda mais a complexidade do advogado irlandês-adotado pela máfia. Curiosamente, Duvall recusou participar de “O Poderoso Chefão Parte III” (1990) por questões de princípio, alegando que a diferença salarial entre ele e Al Pacino era inaceitável — uma decisão que demonstrou seu compromisso inabalável com a dignidade profissional.
Além da saga mafiosa, Duvall brilhou em outros trabalhos de Coppola, especialmente em “Apocalypse Now” (1979), onde interpretou o tenente-coronel Kilgore, o excêntrico oficial obcecado por surf que entrega uma das falas mais icônicas da história do cinema: “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã”. O desempenho lhe rendeu outra indicação ao Oscar e consolidou sua habilidade em humanizar figuras militares autoritárias, tornando-as simultaneamente temíveis e quase cômicas.
A consagração definitiva veio em 1983 com “Ternura e Violência” (“Tender Mercies”), de Bruce Beresford. No papel de Mac Sledge, um cantor country alcoólatra em busca de redenção, Duvall não apenas atuou como também cantou suas próprias canções — uma exigência sua para dar autenticidade ao papel. O desempenho lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, além do Globo de Ouro e do prêmio do Sindicato dos Atores. Ao todo, acumulou sete indicações à Academia ao longo de sete décadas de carreira, sendo a última delas aos 84 anos, por “O Juiz” (2014).
Duvall cineasta
Duvall também se destacou como cineasta, dirigindo, escrevendo e estrelando “O Apóstolo” (1997), um projeto pessoal financiado com cinco milhões de dólares de seu próprio bolso. O filme, sobre um pregador pentecostal em crise, lhe rendeu uma sexta indicação ao Oscar. Sua paixão pelo western se manifestou em trabalhos como “Lonesome Dove” (1989), minissérie televisiva que lhe rendeu um Emmy, e “Open Range” (2003), de Kevin Costner. Sua versatilidade abrangia desde figuras históricas como Robert E. Lee e Joseph Stalin até personagens contemporâneos em filmes como “Rede de Ódio” (“Falling Down”, 1993) e “Viúvas” (“Widows”, 2018).
Casado quatro vezes, Duvall encontrou estabilidade ao lado de Luciana Pedraza, atriz e diretora argentina com quem se casou em 2004. A família informou que não haverá cerimônia formal de despedida, sugerindo que quem deseje homenageá-lo o faça “assistindo a um grande filme, contando uma boa história ao redor de uma mesa com amigos, ou fazendo um passeio pelo campo para apreciar a beleza do mundo”. Robert Duvall deixa um legado de quase 150 trabalhos em cinema e televisão, sendo lembrado como um mestre da interpretação que nunca deixou de priorizar a verdade humana de seus personagens acima de qualquer glamour hollywoodiano.
