Após três semanas desde o anúncio inicial, o candidato a exoplaneta HD 137010 b continua a gerar discussões intensas na comunidade astronômica internacional, embora ainda aguarde confirmação definitiva. A NASA oficializou o status do objeto no início desta semana, adicionando-o ao Arquivo de Exoplanetas da agência em 2 de fevereiro para facilitar o acompanhamento por observadores futuros. A inclusão reconhece o potencial científico do candidato, classificando-o como um caso de interesse significativo para a comunidade científica, apesar de ainda não constar nas tabelas oficiais de sistemas planetários confirmados.
A expectativa pela confirmação do planeta permanece alta entre os pesquisadores, que consideram o sinal detectado um “exemplo didático” de trânsito planetário. A detecção baseou-se em um único evento de dez horas capturado pela missão K2 do telescópio Kepler em 2017, quando a sombra do candidato cruzou a face de sua estrela hospedeira. A precisão dessa única observação permitiu estimar um período orbital de aproximadamente 355 dias, colocando o mundo na borda externa da zona habitável de sua anã laranja, a 146 anos-luz da Terra na constelação de Libra.
Debate para definir a existência
A comunidade científica debate agora as estratégias mais eficazes para confirmar a existência de HD 137010 b. Astrônomos calculam que o próximo trânsito poderia ocorrer entre 300 e 550 dias após a observação inicial, criando uma janela de incerteza que dificulta o agendamento de observações. O satélite TESS da NASA e a missão CHEOPS da Agência Espacial Europeia permanecem como as principais esperanças de curto prazo, embora ambos enfrentem desafios técnicos para capturar um evento tão breve e espaçado.
Enquanto aguardam a confirmação, cientistas aprofundam as análises sobre as condições potenciais do planeta. Modelos climáticos recentes sugerem que HD 137010 b pode oscilar entre três cenários distintos: um mundo temperado com oceanos líquidos, caso possua atmosfera rica em dióxido de carbono; um planeta completamente congelado no estado “bola de neve”, similar à Terra durante períodos glaciais extremos; ou um mundo árido e gelado ainda mais frio que Marte, com temperaturas médias de até -90°C. A probabilidade de cada cenário permanece equilibrada, com cerca de 50% de chances de o planeta estar dentro ou fora da zona habitável.
A estrela HD 137010, uma anã laranja de magnitude 10, continua sendo um dos principais atrativos do sistema para astrônomos. Sua luminosidade relativamente alta — visível até mesmo em telescópios amadores de 150 milímetros — torna o alvo acessível para observações detalhadas de atmosfera, caso o planeta seja confirmado. O Telescópio Espacial James Webb poderia analisar a composição química atmosférica do mundo, buscando moléculas indicativas de processos geológicos ou até biológicos, como oxigênio e metano.
A descoberta manteve viva a discussão sobre o papel das anãs laranjas na busca por vida extraterrestre. Estrelas tipo K, como HD 137010, possuem vidas úteis significativamente mais longas que o Sol, oferecendo janelas temporais estendidas para o desenvolvimento de formas de vida complexa. No entanto, a menor luminosidade dessas estrelas exige que planetas habitáveis orbitem mais próximo, aumentando o risco de travamento de maré, onde um mesmo hemisfério permanece permanentemente voltado para a estrela.
Descoberta do HD 137010 b
A missão PLATO da ESA, prevista para lançamento em dezembro de 2026, surge como a grande esperança para resolver o mistério de HD 137010 b caso as observações atuais não consigam confirmar o planeta. Com capacidade superior de detecção de trânsitos e caracterização de atmosferas, o telescópio europeu poderia não apenas confirmar a existência do mundo, mas também mapear sua superfície e atmosfera em detalhes sem precedentes.
A história de HD 137010 b ressalta o valor duradouro dos dados do Kepler, encerrado há sete anos. A descoberta deste candidato por voluntários do projeto Planet Hunters demonstra como a ciência cidadã continua a expandir as fronteiras da astronomia, mesmo utilizando arquivos de missões concluídas. Alexander Venner, líder da equipe de descoberta e ex-voluntário do projeto, agora pesquisador do Instituto Max Planck de Astronomia, representa uma nova geração de cientistas que combinam análise de dados históricos com tecnologias de ponta para desvendar os segredos dos mundos distantes.
