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Os reinos mais ricos da África

Os reinos mais ricos da África
Foto: Google Gemini/HiperHistória

A África possui uma dualidade fascinante: existem monarcas que são chefes de Estado de nações soberanas e uma vasta rede de reis tradicionais (ou subnacionais) que, embora não governem repúblicas de forma independente, detêm imenso poder cultural, político e econômico. A riqueza dessas casas reais modernas advém de uma mistura de heranças ancestrais, controle sobre vastos recursos naturais, fundos estatais e conglomerados empresariais altamente lucrativos.

Reinos mais ricos da África

No topo absoluto da lista das realezas africanas mais ricas está o Reino do Marrocos, liderado pelo Rei Mohammed VI, da Dinastia Alauíta. Com uma fortuna pessoal e familiar frequentemente avaliada entre 2 e 8 bilhões de dólares, ele é, de longe, o monarca mais abastado do continente. Essa riqueza monumental não provém apenas dos cofres do Estado, mas principalmente do controle da família real sobre a Al Mada (anteriormente chamada de SNI), uma gigantesca holding de investimentos com participações dominantes em setores cruciais da economia marroquina, como bancos, mineração, telecomunicações e energias renováveis.

Outra monarquia soberana de grande peso financeiro é o Reino de Essuatíni (antiga Suazilândia), governado pelo Rei Mswati III, o último monarca absoluto da África. Embora o país em si enfrente grandes desafios socioeconômicos, a fortuna do rei é estimada em centenas de milhões de dólares. O pilar central dessa riqueza é o fundo de investimentos Tibiyo Taka Ngwane, que possui ações em minas, imóveis, usinas de açúcar e outras indústrias essenciais do país; embora o fundo seja tecnicamente mantido “em confiança” para a nação Swazi, na prática, ele é amplamente administrado e utilizado pelo monarca.

Entrando no reino dos monarcas tradicionais subnacionais, a Nigéria destaca-se por abrigar alguns dos reis mais ricos do continente, cujo poder se mescla diretamente com o pujante setor privado do país. Um dos exemplos mais notáveis é o Rei Fredrick Obateru Akinruntan, o Olugbo do Reino de Ugbo, uma comunidade rica em recursos no estado de Ondo. Diferente das fortunas baseadas puramente em impostos ou terras ancestrais, a riqueza do Rei Akinruntan (estimada em cerca de 300 milhões de dólares) vem predominantemente da indústria do petróleo, sendo ele o fundador e dono da Obat Oil, uma das maiores empresas privadas de comércio de combustíveis da Nigéria.

Ainda na Nigéria, é impossível ignorar a influência e o poder financeiro de outros grandes líderes tracionais, como o Sultão de Sokoto e o Ooni de Ife. O Rei Adeyeye Enitan Ogunwusi, o atual Ooni de Ife (considerado o líder espiritual supremo do povo iorubá), construiu um império imobiliário e financeiro formidável antes mesmo de ascender ao trono sagrado. Esses monarcas tradicionais nigerianos não recebem apenas o respeito e a reverência de milhões de súditos, mas também operam como poderosos empresários modernos e intermediários políticos cruciais.

Em Gana, o milenar e célebre Reino Ashanti continua a ostentar uma riqueza formidável sob a liderança do Asantehene, o Rei Otumfuo Osei Tutu II. A prosperidade da coroa Ashanti está historicamente ligada à exploração de vastas reservas auríferas — refletida na sua cultura material, onde o ouro cerimonial tem um papel central —, além de enormes plantações de cacau e um portfólio imobiliário gigantesco. O rei atua como o guardião absoluto de todas as terras do reino e opera diversas iniciativas empresariais e fundações que impulsionam o desenvolvimento econômico de seus súditos e mantêm o alto padrão de sua corte.

Por fim, na África do Sul, a monarquia subnacional de maior destaque econômico, histórico e demográfico é o Reino Zulu, atualmente sob o Rei Misuzulu kaZwelithini. A principal fonte da riqueza e da alavancagem de poder da família real Zulu é o Ingonyama Trust, uma entidade corporativa majestosa que administra cerca de 30% de todas as terras da província de KwaZulu-Natal, recolhendo arrendamentos comerciais e taxas de uso do solo. Além do controle sobre essa vasta extensão territorial, o monarca Zulu recebe um generoso subsídio anual multimilionário do governo sul-africano para a manutenção de seus palácios e deveres cerimoniais, ilustrando como o Estado moderno ainda financia o poder das dinastias tradicionais.

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