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Os gatos e os egípcios

Os gatos e os egípcios
Foto: Google Gemini/HiperHistória

A relação entre os antigos egípcios e os gatos começou de forma muito prática, fundamentada na sobrevivência e no benefício mútuo. À medida que o Egito se tornava uma grande potência agrícola, seus vastos estoques de grãos atraíam roedores, cobras e outras pragas. Os gatos selvagens, percebendo essa abundância de presas, começaram a se aproximar dos assentamentos humanos. Os egípcios logo perceberam o valor inestimável desses predadores silenciosos para proteger sua principal fonte de alimento, iniciando um processo natural de convivência e domesticação.

Com o tempo, esses caçadores transcenderam seu papel utilitário e passaram a ser vistos como companheiros amados e membros das famílias. Gatos podiam ser encontrados em lares de todas as classes sociais, desde as cabanas dos camponeses até os luxuosos palácios dos faraós. Eles eram frequentemente retratados na arte egípcia descansando debaixo de cadeiras ou nos colos de seus donos, muitas vezes adornados com coleiras e brincos de ouro, o que demonstrava o imenso carinho e posição que possuíam na vida cotidiana.

Deusa Bastet

A admiração pelos felinos alcançou um nível divino com a associação dos gatos a divindades proeminentes, especialmente a deusa Bastet (ou Bast). Originalmente representada como uma leoa feroz, Bastet evoluiu com o tempo para assumir a forma de um gato doméstico ou de uma mulher com cabeça de gato. Ela se tornou a deusa do lar, da fertilidade, dos segredos femininos e da proteção contra doenças, elevando a condição do gato de mero animal de estimação a um ser sagrado e venerado em todo o império.

Curiosamente, os egípcios chamavam os gatos de “Mau”, uma onomatopeia clara que imitava o som do seu miado. Além do controle de roedores, os gatos eram reverenciados por sua incrível agilidade e habilidade de caçar cobras peçonhentas e escorpiões, criaturas muito temidas no ambiente desértico. Essa capacidade de enfrentar e derrotar animais perigosos reforçava a ideia de que os felinos eram protetores espirituais enviados pelos deuses para manter as famílias seguras contra as forças do caos.

O respeito era tão profundo que o luto pela morte de um gato era vivenciado de forma muito semelhante à perda de um familiar humano. Quando um gato de estimação falecia, os donos costumavam raspar as próprias sobrancelhas em sinal de profunda tristeza, mantendo o luto até que os pelos crescessem novamente. Além disso, muitos gatos recebiam a honra da mumificação, sendo cuidadosamente enfaixados e sepultados em cemitérios dedicados a eles, acompanhados de oferendas como ratos mumificados e tigelas de leite para a vida após a morte.

A proteção aos gatos

A proteção legal aos gatos no Antigo Egito era extremamente rigorosa, refletindo sua importância cultural e religiosa. Ferir ou matar um gato, mesmo que acidentalmente, era considerado um crime gravíssimo, frequentemente punido com a pena de morte. O valor dado a esses animais era tão alto que o governo proibiu estritamente a sua exportação; exércitos chegaram a ser enviados a terras vizinhas com a missão de resgatar e trazer de volta gatos que haviam sido contrabandeados por comerciantes estrangeiros.

O legado dessa fascinante relação reverbera até agora, influenciando diretamente como a humanidade interage com os felinos. Embora os egípcios não tenham sido a única cultura antiga a conviver com gatos, eles foram, sem dúvida, os que mais os exaltaram e os integraram profundamente na sociedade. O amor, o respeito e a mística que eles projetaram sobre os seus “Maus” ajudaram a moldar o gato moderno, consolidando o seu lugar como um dos companheiros mais misteriosos, elegantes e amados dos nossos lares.

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