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HD 137010 b: conheça as características do exoplaneta

HD 137010 b: conheça as características do exoplaneta
Foto: Google Gemini/HiperHistória

As recentes descobertas sobre o exoplaneta HD 137010 b, anunciadas na quinta-feira (29/01), revelam um mundo fascinante que desafia nossas definições de “gêmeo da Terra”. Localizado a aproximadamente 146 anos-luz de distância, na constelação de Libra, este corpo celeste orbita a estrela HD 137010, uma anã laranja (tipo K) que é um pouco menor, mais fria e menos brilhante que o nosso Sol. O planeta foi identificado por uma equipe internacional de astrônomos utilizando dados arquivados da missão K2 do telescópio espacial Kepler, o que prova que informações coletadas há anos ainda guardam segredos valiosos sobre o cosmos.

Em termos físicos, o HD 137010 b é considerado um planeta rochoso de tamanho muito semelhante ao terrestre, possuindo um raio apenas 6% maior que o da Terra. Sua característica mais notável é o período orbital de cerca de 355 dias, uma marca raramente vista em exoplanetas desse tamanho, que geralmente são encontrados muito mais próximos de suas estrelas. Devido a essa órbita longa, o planeta recebe apenas cerca de um terço da radiação solar que a Terra recebe, o que o coloca em uma posição peculiar na fronteira do sistema estelar.

Um planeta hábitável?

A questão da habitabilidade é complexa e gera debates cautelosos na comunidade científica. Atualmente, os modelos sugerem que há uma probabilidade de aproximadamente 50% de o HD 137010 b estar dentro da zona habitável de sua estrela — a região onde a água líquida poderia teoricamente existir na superfície. No entanto, por estar na borda externa dessa zona, os cientistas o descrevem como uma “Terra Gelada”. As estimativas iniciais apontam para temperaturas médias de -68 °C, o que o tornaria mais frio que Marte e possivelmente coberto por uma espessa camada de gelo permanente.

Quanto à sua atmosfera, nada foi observado diretamente ainda, mas as simulações climáticas são cruciais para entender seu potencial de vida. Para que o HD 137010 b pudesse abrigar água líquida e ser de fato habitado, ele precisaria possuir uma atmosfera muito mais densa que a da Terra, possivelmente rica em gases de efeito estufa como o dióxido de carbono ($CO_2$). Uma “capa” atmosférica poderosa poderia reter calor suficiente para evitar o congelamento total, criando condições mais amenas sob a superfície gelada ou em regiões equatoriais específicas.

HD 137010 b ainda é candidato a exoplaneta

É importante ressaltar que o HD 137010 b ainda é classificado como um “candidato a exoplaneta”. Como foi detectado por meio de um único evento de trânsito longo nos dados do Kepler, sua existência precisa de confirmação definitiva por outros instrumentos, como os telescópios TESS ou CHEOPS. Se confirmado, ele será um dos alvos primários para o Telescópio Espacial James Webb (JWST), que tem a capacidade de analisar a composição química da atmosfera e procurar por bioassinaturas, como metano ou oxigênio.

A comparação com Marte é inevitável, dado o clima hostil previsto, mas o HD 137010 b leva vantagem por orbitar uma estrela tipo K, que é mais estável e menos propensa a emitir explosões de radiação nociva do que as anãs vermelhas (tipo M). Essa estabilidade estelar aumenta as chances de que o planeta tenha conseguido reter uma atmosfera ao longo de bilhões de anos, diferentemente de muitos mundos descobertos anteriormente que podem ter sido “varridos” por ventos estelares violentos.

Lista de exoplanetas

Além do HD 137010 b, a lista de exoplanetas possivelmente habitáveis continua a crescer com nomes já bem estabelecidos. Entre os mais promissores estão o Proxima Centauri b, o vizinho mais próximo a apenas 4,2 anos-luz; o TRAPPIST-1e, um dos sete mundos rochosos de um sistema famoso; e o Teegarden b, que possui um dos índices de similaridade com a Terra mais altos já registrados. Outros destaques incluem o TOI-700 d, descoberto pelo TESS, e o Kepler-186f, o primeiro planeta de tamanho terrestre encontrado na zona habitável de outra estrela.

Essas descobertas reforçam que o universo pode estar repleto de mundos rochosos, mas a habitabilidade depende de um equilíbrio delicado entre distância, tipo de estrela e composição atmosférica. O HD 137010 b representa um novo capítulo nessa busca, mostrando que, mesmo em ambientes que parecem “bolas de neve” espaciais, a ciência continua encontrando esperança para a existência de nichos biológicos. A próxima década de observações será decisiva para transformar esses candidatos distantes em mundos compreendidos em detalhe.

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