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Almanaque dos Papas

Os 5 papas mais corruptos da história

Os 5 papas mais corruptos da história
Foto: Google Gemini/HiperHistória

A história dos papas, embora repleta de figuras de grande espiritualidade e liderança moral, também possui capítulos sombrios marcados pela ambição política, luxúria e ganância desenfreada. Durante certos períodos, especialmente na Idade Média e na Renascença, a cadeira de São Pedro foi ocupada não por santos, mas por monarcas seculares que viam a Igreja como uma ferramenta de poder absoluto e enriquecimento familiar. A combinação de autoridade espiritual inquestionável com imenso poder temporal criou, por vezes, um ambiente propício para a corrupção extrema, onde o dogma religioso era frequentemente ofuscado por escândalos que abalaram a fé da cristandade.

Aqui estão cinco dos papas mais controversos e corruptos da história:

Os 5 papas mais corruptos da história

Estevão VI (896–897): O Juiz de Cadáveres Estevão VI é lembrado por protagonizar um dos episódios mais macabros da história católica: o “Concílio Cadavérico”. Movido por uma vingança política irracional contra seu predecessor, o Papa Formoso, Estevão ordenou que o corpo de Formoso, morto há nove meses, fosse exumado, vestido com as vestes papais e colocado no trono para ser julgado. O cadáver foi considerado culpado, teve os três dedos da mão direita (usados para bênçãos) cortados e foi atirado ao rio Tibre. O povo de Roma, horrorizado com tamanha profanação, revoltou-se; Estevão VI foi deposto, preso e estrangulado na sua cela poucos meses depois.

Os 5 papas mais corruptos da história

João XII (955–964): O Papa Menino Eleito papa com apenas 18 anos, João XII transformou o Vaticano no que cronistas da época descreveram como um “bordel”. Desinteressado em assuntos espirituais, ele dedicava o seu tempo a caçadas, jogos de azar (invocando deuses pagãos ao lançar os dados) e inúmeros casos amorosos, inclusive com as viúvas dos seus antecessores e a sua própria sobrinha. O seu reinado foi tão escandaloso que o Sacro Imperador Romano, Otão I, convocou um sínodo para o depor, acusando-o de adultério, incesto e assassinato. A sua morte foi tão lendária quanto a sua vida: diz-se que morreu subitamente, possivelmente de um derrame (ou assassinado por um marido ciumento), enquanto cometia adultério.

Os 5 papas mais corruptos da história

Bento IX (1032–1048): Aquele que Vendeu o Papado Descrito por São Pedro Damião como um “demônio do inferno disfarçado de padre”, Bento IX detém o recorde único de ter sido papa em três ocasiões distintas. Membro de uma família poderosa que tratava o papado como uma herança, ele assumiu o cargo muito jovem e governou de forma tirânica e violenta. O auge da sua corrupção ocorreu quando decidiu que queria casar-se; para tal, ele literalmente vendeu o papado ao seu padrinho (que se tornou Gregório VI) por uma grande soma de ouro. Mais tarde, arrependeu-se, tentou retomar o trono à força e mergulhou Roma no caos político até ser definitivamente expulso.

Os 5 papas mais corruptos da história

Bonifácio VIII (1294–1303): O Tirano Absolutista Diferente da libertinagem de João XII, a corrupção de Bonifácio VIII era a pura sede de poder e a simonia (venda de cargos e favores sagrados). Ele é famoso por ter declarado, na bula Unam Sanctam, que o papa tinha autoridade absoluta sobre todos os reis da Terra e a submissão a ele era necessária para a salvação da alma. Bonifácio iniciou guerras destrutivas contra famílias rivais italianas (como os Colonna), confiscando as suas terras para enriquecer os seus próprios parentes. A sua arrogância e crueldade foram tão notórias que Dante Alighieri, na Divina Comédia, reservou-lhe um lugar no Oitavo Círculo do Inferno, destinado aos simoníacos, antes mesmo de o papa ter morrido.

Os 5 papas mais corruptos da história

Alexandre VI (1492–1503): O Poder Bórgia Talvez o papa mais infame de todos, Rodrigo Bórgia (Alexandre VI) personificou a corrupção da Renascença. Ele comprou a sua eleição via subornos massivos e utilizou o papado para engrandecer os seus filhos ilegítimos, César e Lucrécia Bórgia. O seu pontificado foi marcado por orgias no palácio papal (como o infame “Banquete das Castanhas”), assassinatos de rivais políticos por envenenamento (usando a lendária “Cantarella”) e uma política externa baseada na guerra e na traição para criar um principado para o seu filho. Embora fosse um administrador competente, a sua imoralidade flagrante foi um dos combustíveis que, poucos anos após a sua morte, inflamaram a Reforma Protestante.

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