Esta é uma viagem fascinante pela rica mitologia e espiritualidade afro-brasileira. Os orixás são divindades que representam forças da natureza e princípios ancestrais, fundamentais no Candomblé e na Umbanda. Embora existam centenas de divindades na África Ocidental, no Brasil cultuamos um panteão principal.
Aqui está uma descrição sucinta de cada um dos principais Orixás cultuados no Brasil:
Conheça os orixás

Exu: É o Orixá da comunicação, do movimento e da encruzilhada. Ele é o mensageiro essencial entre os seres humanos e o divino, sendo sempre o primeiro a ser louvado para garantir que os caminhos se abram. Diferente da visão ocidental maniqueísta, Exu não é o mal; é a energia dinâmica, a disciplina e a vitalidade que põe o universo em movimento.

Ogum: O senhor do ferro, da guerra e da tecnologia. É o guerreiro que abre caminhos na mata fechada e representa a luta pela sobrevivência, o trabalho árduo e o progresso. Ogum é a força bruta civilizada para servir à comunidade, sendo o padroeiro daqueles que manipulam ferramentas e lidam com metais, simbolizando a coragem e a lei.

Oxóssi: É o rei das matas, o grande caçador e o provedor da fartura. Ele detém o conhecimento sobre as plantas e os animais, representando a busca pelo sustento, a astúcia, a estratégia e a contemplação. Oxóssi é aquele que garante que nunca falte alimento à tribo, sendo também ligado às artes, à cultura e ao intelecto focado.

Obaluaiê (ou Omolu): É o senhor das doenças e da cura, o médico dos pobres e o guardião dos segredos da morte e do renascimento. Com o corpo coberto de palha da costa para esconder suas chagas (ou seu brilho excessivo, comparado ao sol), ele representa o respeito máximo, o silêncio e a transformação profunda que ocorre quando superamos grandes dores físicas ou espirituais.

Ossain: É o senhor absoluto das folhas e das ervas medicinais. Detém o segredo do axé (força vital) contido nas plantas, sendo fundamental para qualquer ritual, pois “sem folha não há orixá nem candomblé”. Ele representa a medicina natural, a farmacopeia sagrada e o mistério da vida que brota da terra para curar.

Oxumaré: A divindade do arco-íris e da serpente, representando os ciclos, a continuidade e a renovação. Ele simboliza a ligação entre o céu e a terra (através da evaporação da água e da chuva) e a dualidade, possuindo uma natureza que transita entre o masculino e o feminino. Oxumaré rege a riqueza, a fortuna e as transformações constantes da vida.

Nanã Buruquê: A mais antiga dos orixás femininos, a avó sábia associada à lama primordial e aos pântanos. Ela representa a memória ancestral, a sabedoria acumulada pelos anos e o início da vida (na lama) e seu fim. Nanã tem uma energia lenta, calma e severa, governando a reestruturação e a decantação emocional.

Iemanjá: A grande mãe, rainha dos mares e oceanos, cujos seios alimentaram todos os filhos. Ela representa a maternidade, o acolhimento, a geração da vida e o equilíbrio psicológico (a “cabeça”). Iemanjá cuida das famílias e protege seus filhos com a força e a vastidão das águas salgadas, sendo símbolo de fertilidade e proteção.

Oxum: A rainha das águas doces, dos rios e cachoeiras, senhora do ouro, da beleza e do amor. Ela governa a gestação, a fecundidade e a prosperidade material, utilizando a diplomacia e a estratégia suave, mas implacável, para vencer guerras. Oxum é o encanto, a vaidade saudável e a fluidez que contorna obstáculos como a água do rio.

Iansã (Oyá): A senhora dos ventos, das tempestades e dos raios. É uma guerreira impetuosa, dona de uma personalidade forte e independente, que divide com Xangô o domínio do fogo e da justiça. Iansã também é a guardiã dos eguns (espíritos dos mortos), guiando-os no além, representando a transformação rápida, a paixão e a coragem de enfrentar o desconhecido.

Xangô: O rei de Oyó, senhor da justiça, do trovão e do fogo. Ele representa o poder executivo, a lei, a realeza e o equilíbrio, punindo os injustos e protegendo os seus com o seu machado de duas lâminas (o oxé). Xangô é a autoridade máxima, a inteligência estratégica e a força viril, simbolizando a rocha firme e a estabilidade.

Obá: Uma guerreira destemida e fisicamente muito forte, que representa a luta e a compreensão (simbolizada pelo ouvido). Associada às águas revoltas dos rios (a pororoca), ela foi uma das esposas de Xangô e representa a lealdade, a sinceridade nua e crua e o sacrifício em nome do amor, além de ser uma protetora do poder feminino independente.

Ewá: A senhora da vidência, da intuição e das transformações da natureza (como a neblina e o horizonte rosado). Virgem e caçadora, ela vive nas matas inexploradas e nos cemitérios, possuindo um sexto sentido aguçado. Ewá representa o que é belo, o desconhecido, a adaptação e a proteção contra o que não podemos ver fisicamente.

Logun Edé: Filho de Oxum e Oxóssi, ele herda as características de ambos, vivendo seis meses nas matas com o pai e seis meses nos rios com a mãe. É o senhor da pesca e da caça, da beleza masculina e da riqueza. Logun Edé representa o equilíbrio perfeito entre a graça e a astúcia, o encanto e a precisão.

Oxalá: O pai de todos, o criador dos corpos humanos e o Orixá da paz e da brancura. Ele se divide principalmente em duas qualidades: Oxalufan (o velho sábio, lento e paciente) e Oxaguiã (o jovem guerreiro, dinâmico e inovador). Oxalá representa a ética, a moral, a pureza espiritual, o ar que respiramos e o equilíbrio que deve reger a vida de todos os seres.
