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Homem escapa da morte ao tocar polvo nas Filipinas

Homem escapa da morte ao tocar polvo nas Filipinas
Foto: Google Gemini/HiperHistória

Um turista britânico chamado Andy McConnell viveu, sem saber, um dos momentos mais perigosos de sua vida durante as férias nas Filipinas. Enquanto explorava as águas rasas de uma praia na ilha de Cebu, ele avistou um pequeno polvo que julgou inofensivo e decidiu pegá-lo com a mão. Encantado com a criatura, ele filmou o animal se movendo sobre sua palma e publicou o vídeo em suas redes sociais, descrevendo-o como uma experiência bonita e tranquila.

A gravidade da situação só veio à tona depois que o vídeo viralizou. Seguidores e especialistas em vida marinha rapidamente inundaram a seção de comentários com avisos urgentes, informando a McConnell que ele estava manuseando um Polvo-de-anéis-azuis (Hapalochlaena), um dos animais mais venenosos do planeta. O turista, que mais tarde descreveu o episódio como um “encontro acidental com a morte”, teve uma sorte extraordinária, pois o animal não se sentiu ameaçado o suficiente para liberar seu veneno letal.

O pequeno polvo e sua toxicidade

Apesar de sua reputação mortal, o polvo-de-anéis-azuis surpreende por suas dimensões diminutas. Esta espécie raramente ultrapassa o tamanho de uma bola de golfe ou de uma pequena maçã, variando entre 12 e 20 centímetros com os tentáculos estendidos. Quando está calmo e em repouso, sua coloração é geralmente bege ou amarelada, o que o ajuda a se camuflar perfeitamente na areia e nos recifes de coral, tornando-o fácil de ser pisado ou tocado acidentalmente por banhistas desatentos.

A curiosidade mais marcante, no entanto, é o seu sistema de alerta visual. Quando o polvo se sente perturbado ou ameaçado, ele exibe instantaneamente cerca de 50 a 60 anéis de um azul elétrico iridescente que pulsam sobre sua pele amarela brilhante. Essa mudança de cor é um exemplo clássico de aposematismo — um sinal da natureza que diz “não me toque, sou perigoso”. No caso do turista, o fato de os anéis não estarem pulsando violentamente sugere que o animal estava relativamente calmo, o que provavelmente salvou a vida de McConnell.

Veneno sem antídoto e mecanismo fatal

O que torna este polvo verdadeiramente assustador é a potência de seu veneno, que contém uma neurotoxina poderosa chamada tetrodotoxina (TTX). Estima-se que a toxina deste pequeno cefalópode seja mais de 1.000 vezes mais potente que o cianeto. Curiosamente, o polvo não produz esse veneno sozinho; ele é gerado por bactérias simbióticas que vivem em suas glândulas salivares. Um único espécime carrega veneno suficiente para matar cerca de 26 humanos adultos em questão de minutos.

O perigo é amplificado pela forma como o veneno age e pela ausência de tratamento farmacológico. A mordida do polvo é muitas vezes indolor, o que faz com que a vítima nem perceba que foi envenenada até que os sintomas comecem. A tetrodotoxina bloqueia os sinais nervosos, causando paralisia muscular progressiva. A parte mais aterrorizante é que a vítima permanece plenamente consciente, mas incapaz de se mover ou falar, até que a paralisia atinja os músculos respiratórios, levando à asfixia.

Como não existe antídoto conhecido para a tetrodotoxina, a única chance de sobrevivência é o suporte médico imediato com respiração artificial, mantendo o paciente oxigenado até que o corpo consiga metabolizar e expelir a toxina, o que pode levar horas. O caso de McConnell serve agora como um alerta global reforçado por biólogos marinhos: nunca toque em animais selvagens, especialmente naqueles que exibem cores vibrantes, pois na natureza, beleza muitas vezes é sinônimo de perigo extremo.

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