A palavra “Réveillon” vem do francês réveiller, que significa “acordar” ou “despertar”. Originalmente, o termo era usado na França para designar ceias noturnas realizadas após longas cerimônias religiosas ou festas que se estendiam até tarde. Com o tempo, passou a ser associada à noite de 31 de dezembro, quando as pessoas “despertavam” para o novo ano com celebrações, comidas especiais e momentos de reflexão e alegria.
A tradição de comemorar a virada do ano é muito antiga, remontando às civilizações da Mesopotâmia, cerca de 2.000 a.C. Os babilônios festejavam a chegada de um novo ciclo na primavera, marcando o início das colheitas. Já os romanos dedicavam o início do ano a Jano, o deus das portas e passagens, representado com duas faces: uma voltada para o passado e outra para o futuro. A partir daí, as celebrações de Ano-Novo ganharam um caráter simbólico de renovação e esperança, conceito que atravessou os séculos.
Réveillon na Idade Média
Durante a Idade Média, as festividades de fim de ano eram bem diferentes das atuais. Com o domínio da Igreja Católica sobre o calendário e a vida social, a festa assumiu um tom mais religioso. O calendário juliano, criado por Júlio César, havia fixado o dia 1º de janeiro como o início do ano civil, mas, em muitos lugares, o Ano-Novo era celebrado em datas distintas, como o Natal (25 de dezembro) ou a Páscoa. Em alguns reinos medievais, a transição de ano era marcada por missas solenes e momentos de penitência, e não por festas populares.
Somente no século XVI, com a adoção do calendário gregoriano pelo papa Gregório XIII em 1582, o dia 1º de janeiro foi oficialmente restabelecido como o início do ano. Na França, a data ganhou um caráter mais social e festivo. As famílias realizavam grandes jantares, trocavam presentes e brindavam com vinho e champanhe, transformando o Réveillon em uma celebração de elegância e boa sorte.
No Brasil
No Brasil, as primeiras comemorações de Ano-Novo vieram com os colonizadores portugueses. Entretanto, o Réveillon como conhecemos hoje começou a ganhar forma apenas no início do século XX, inspirado pelos costumes europeus. A elite carioca organizava festas em clubes e hotéis, com jantares requintados e bailes animados.
A partir da década de 1950, a tradição de passar o Réveillon na praia, vestindo branco e fazendo oferendas ao mar, popularizou-se no Rio de Janeiro, com forte influência das religiões afro-brasileiras. Essa mistura de fé, alegria e cultura transformou o Ano-Novo em uma das maiores celebrações do país. Hoje, o Réveillon brasileiro é reconhecido mundialmente, especialmente o de Copacabana, símbolo de esperança, renovação e festa compartilhada.
