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Como são formados os gêmeos?

Como são formados os gêmeos?
Foto: Google Gemini/HiperHistória

A gestação de gêmeos é um fenômeno biológico fascinante que quebra a regra padrão da reprodução humana de “um bebê por vez”. Basicamente, existem dois caminhos distintos para que isso ocorra, resultando em crianças que podem ser cópias genéticas quase exatas ou tão diferentes quanto quaisquer irmãos nascidos em anos distintos. A diferença fundamental reside na ovulação da mãe e no comportamento do óvulo logo após a fertilização.

A forma mais comum de gemelaridade, representando cerca de dois terços dos casos, é a dos gêmeos dizigóticos, popularmente conhecidos como “bivitelinos” ou fraternos. Esse processo ocorre devido a uma superovulação: a mulher libera dois óvulos no mesmo ciclo menstrual em vez de um, e ambos são fertilizados por dois espermatozoides diferentes. Biologicamente, é como se fossem duas gestações independentes acontecendo simultaneamente no mesmo útero.

Por serem fruto de óvulos e espermatozoides distintos, os gêmeos dizigóticos compartilham apenas cerca de 50% de sua carga genética, a mesma proporção de irmãos comuns. Isso explica por que podem ter sexos diferentes, tipos sanguíneos distintos e aparências que não se assemelham. Durante a gestação, cada bebê se desenvolve dentro de sua própria bolsa amniótica e possui sua própria placenta, garantindo uma independência nutricional completa.

As chances de ter gêmeos

Curiosamente, a predisposição para ter gêmeos dizigóticos é o único tipo que é comprovadamente hereditário e influenciado pelo lado materno. Se a mãe tem histórico de gêmeos na família ou possui genes que favorecem a hiperovulação, as chances aumentam. Fatores como idade materna avançada (devido a alterações hormonais) e tratamentos de fertilização também elevam significativamente a probabilidade desse tipo de gestação.

Já o segundo tipo, os gêmeos monozigóticos ou “univitelinos”, é considerado um verdadeiro “acidente” da natureza, não sendo influenciado pela genética familiar. Tudo começa de forma padrão: um único óvulo é fecundado por um único espermatozoide, formando um zigoto. Contudo, em algum momento nos primeiros dias após a concepção, essa célula inicial se divide espontaneamente em duas partes iguais, dando origem a dois embriões com 100% do mesmo DNA.

A complexidade da gravidez univitelina depende de quando essa divisão ocorre. Se o zigoto se dividir nos primeiros três dias, os bebês terão placentas e bolsas separadas, assim como os fraternos. Se a divisão ocorrer entre o quarto e o oitavo dia, eles compartilharão a mesma placenta, mas terão bolsas diferentes. Em casos mais raros e arriscados, se a divisão for tardia, eles podem compartilhar tanto a placenta quanto a bolsa amniótica.

A individualidade

Apesar de serem chamados de “idênticos”, a natureza garante a individualidade. Embora o DNA seja o mesmo, as impressões digitais dos gêmeos monozigóticos são sempre diferentes. Isso ocorre porque as linhas dos dedos não são formadas apenas pela genética, mas pelo contato aleatório das mãos do feto com a parede uterina e pela densidade do líquido amniótico, criando um padrão físico exclusivo para cada indivíduo.

Além disso, existe o fenômeno dos “gêmeos espelho”. Se a divisão do embrião ocorrer tardiamente (por volta do nono dia), as características físicas podem se espelhar: um gêmeo pode ter uma sarda no lado direito e o outro no esquerdo, ou um ser destro e o outro canhoto. Essa simetria invertida é o exemplo final de como a biologia humana é capaz de criar variações complexas e surpreendentes, transformando uma única célula em duas vidas conectadas desde a origem.

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