O consenso científico mais atual aponta que o objeto responsável pela extinção dos dinossauros veio do Sistema Solar exterior, provavelmente da metade mais externa do cinturão de asteroides (situado além de Júpiter). Estudos recentes indicam que ele era um asteroide do tipo condrito carbonáceo (rico em carbono), uma rocha escura e primitiva formada nos primórdios do sistema solar.
Isso contraria teorias antigas que sugeriam que poderia ter sido um cometa da Nuvem de Oort. Júpiter, com sua imensa gravidade, provavelmente atuou como um “estilingue cósmico”, desestabilizando a órbita dessa rocha e lançando-a em rota de colisão direta com a Terra.
Aqui estão 8 grandes curiosidades sobre este evento cataclísmico:
1. Uma “bola de lama” cósmica
Embora imaginemos uma rocha metálica brilhante, a composição de condrito carbonáceo sugere que o asteroide era, quimicamente, mais parecido com uma gigantesca bola de lama compactada e escura. Com cerca de 10 a 14 km de diâmetro (maior que o Monte Everest), ele era rico em argila, água e compostos orgânicos, diferindo muito dos asteroides rochosos e metálicos mais comuns que orbitam mais perto da Terra.
2. O pior ângulo possível
O nível de destruição foi amplificado pelo azar geométrico. O asteroide atingiu a Terra em um ângulo de aproximadamente 60 graus. Se tivesse caído verticalmente (90°) ou de raspão, a quantidade de detritos lançados na atmosfera teria sido menor. O ângulo de 60° foi o “ponto ideal” para maximizar a ejeção de vapor de rocha e enxofre, saturando a atmosfera e bloqueando o sol de forma muito mais eficiente.
3. Bilhões de Hiroshimas
A energia liberada no impacto foi incompreensível: estima-se que foi equivalente a 10 bilhões de bombas atômicas de Hiroshima detonadas simultaneamente. O choque perfurou a crosta terrestre tão violentamente que a rocha se comportou como um líquido, formando instantaneamente uma montanha temporária no centro da cratera (o pico central) que colapsou segundos depois.
4. O Tsunami global
O impacto em águas rasas (na atual Península de Iucatã, México) gerou um tsunami de proporções bíblicas. As ondas iniciais podem ter atingido 1,5 km de altura. Simulações mostram que, em 48 horas, as ondas de choque do tsunami haviam percorrido todos os oceanos do mundo, revirando sedimentos no fundo do mar a milhares de quilômetros de distância.
5. Chuva de vidro derretido
Após o impacto, toneladas de rocha derretida foram ejetadas para o espaço e quase imediatamente caíram de volta à Terra. Ao reentrarem na atmosfera, essas esférulas (chamadas tectitos) aqueceram o ar por atrito, transformando o céu em uma grelha gigante. Por algumas horas, a temperatura da superfície em várias partes do mundo pode ter subido drasticamente, iniciando incêndios florestais globais instantâneos.
6. O inverno de 15 anos
O verdadeiro assassino não foi o impacto em si, mas a escuridão subsequente. A poeira e, principalmente, o enxofre vaporizado das rochas de gesso do local do impacto bloquearam a luz solar. Isso gerou um inverno nuclear que durou cerca de 15 anos. Sem luz, a fotossíntese parou, as plantas morreram, seguidas pelos herbívoros e, por fim, pelos carnívoros.
7. Extinção seletiva: a morte dos grandes dinossauros
O evento eliminou cerca de 75% de todas as espécies da Terra, mas a extinção não foi aleatória. Animais maiores que precisavam de muita comida (como os dinossauros não-avianos) não tiveram chance. Os sobreviventes foram tipicamente menores que 25 kg, detritívoros (comiam matéria morta), viviam em tocas ou podiam hibernar, características que salvaram os primeiros mamíferos, tartarugas e crocodilos.
8. Humanos são filhos do asteroide
Existe uma ironia cósmica na nossa existência: sem esse meteoro, é provável que os humanos nunca tivessem existido. Os dinossauros mantiveram os mamíferos oprimidos, pequenos e noturnos por mais de 100 milhões de anos. A extinção dos répteis gigantes “esvaziou” o mundo, permitindo que nossos ancestrais mamíferos saíssem das tocas, crescessem e eventualmente evoluíssem até nós.
