O mito do rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda é um dos mais duradouros da tradição literária ocidental. Sua origem remonta a um conjunto de lendas celtas, especialmente do País de Gales, transmitidas oralmente por séculos antes de ganharem forma escrita. A figura de Arthur aparece pela primeira vez em crônicas medievais como um líder guerreiro que combateu invasões saxãs, mas, com o tempo, o personagem foi sendo envolvido por elementos mágicos, cristãos e cavaleirescos.
A consolidação do mito começa no século XII, quando Geoffrey de Monmouth escreve a Historia Regum Britanniae, obra que transforma Arthur em um rei quase messiânico. Embora misture história e fantasia, o texto influenciou profundamente a imaginação medieval. A partir daí, novos autores ampliaram o ciclo arturiano, acrescentando episódios, personagens e objetos simbólicos — como Excalibur, a espada mágica que reforça o direito divino do rei.
O mito ganha força
No século XIII, o mito ganha ainda mais força com a literatura francesa, especialmente os romances cavaleirescos. Foi nessa tradição que surgiu a Távola Redonda, uma mesa sem cabeceira que simbolizava a igualdade entre os cavaleiros. Ali se reuniam figuras lendárias como Lancelot, Gawain, Percival e Galahad, cada um representando virtudes — e fraquezas — da cavalaria medieval. Esses romances também introduziram a busca pelo Santo Graal, misturando temas cristãos e aventuras épicas.
Um dos aspectos mais fascinantes do ciclo arturiano é a mistura de história, fé e magia. Personagens como Merlin, o misterioso mago e conselheiro de Arthur, transformam a narrativa em um mundo onde o sobrenatural se entrelaça com questões políticas e morais. A ascensão e queda do Reino de Camelot carregam significados simbólicos: o ideal de uma sociedade justa que desmorona devido às falhas humanas, como a traição de Lancelot e Guinevere.

O mito também é cheio de curiosidades. Muitos estudiosos tentaram identificar um “Arthur histórico”, mas não existe consenso sobre sua existência real. Camelot, por sua vez, nunca foi localizada, embora sítios arqueológicos como Cadbury Castle tenham alimentado especulações. Outro detalhe curioso é que a lenda sofreu constantes adaptações: alguns textos apresentam Arthur como um rei cristão exemplar; outros, como um herói pagão ligado aos deuses celtas.
Rei Arthur e a propaganda
Além disso, o mito se expandiu com o passar dos séculos. Na Idade Média, era usado como propaganda política — reis ingleses e franceses reivindicavam descendência arturiana para reforçar sua legitimidade. No século XIX, o interesse renasceu com o romantismo, especialmente graças às obras de Tennyson, que reinterpretaram Arthur como um ideal moral. No século XX, filmes, séries e livros deram novas versões à lenda, tornando-a parte da cultura pop global.
Hoje, o rei Arthur continua sendo um símbolo de heroísmo, liderança e utopia. Sua história permanece viva porque fala de valores universais: coragem, justiça, amizade e tragédia. A Távola Redonda inspira a ideia de igualdade entre líderes, e a busca pelo Graal simboliza a busca humana pelo sagrado e pelo sentido da vida. Assim, mesmo sem sabermos se Arthur realmente existiu, seu mito permanece mais vivo do que nunca.
