HiperHistória
AstronomiaCiênciaNotícias

3I/ATLAS é um cometa, confirmam cientistas

3I/ATLAS é um cometa, confirmam cientistas
Foto: NASA, ESA, David Jewitt (UCLA); Image Processing: Joseph DePasquale (STScI)

A visibilidade do cometa 3I/ATLAS tem despertado grande interesse na comunidade científica porque ele representa apenas o terceiro objeto interestelar já identificado passando pelo Sistema Solar. Sua observação, porém, não é simples. Desde sua descoberta, em julho de 2025, astrônomos vinham acompanhando sua aproximação ao Sol, mas a fase mais crítica ocorreu durante o periélio, quando o cometa ficou em conjunção solar, praticamente oculto pela luz intensa da nossa estrela. Nessa etapa, telescópios terrestres não puderam registrá-lo, e apenas observatórios espaciais, com posição privilegiada, conseguiram realizar medições limitadas.

Com a saída dessa conjunção, a situação começou a mudar. O 3I/ATLAS reapareceu no céu da Terra no início de novembro de 2025, principalmente no horizonte leste antes do nascer do Sol. Essa foi considerada a janela ideal para observá-lo “com perfeição”, dentro do possível, dado seu brilho naturalmente fraco. Nessas semanas, o cometa atingiu magnitude próxima de 10, exigindo telescópios de médio porte para visualização clara. Para astrônomos profissionais, esse período marcou a fase mais rica de coleta de dados a partir de observatórios terrestres, já que o objeto finalmente apresentou boa separação angular em relação ao Sol, reduzindo o risco de ofuscamento.

A confirmação

A partir dessas observações, os cientistas puderam confirmar com segurança que 3I/ATLAS é de fato um cometa, não apenas um bloco de gelo interestelar passivo. Imagens revelaram uma coma bem definida e uma leve cauda, sinais inequívocos de sublimação — processo em que o gelo do núcleo passa diretamente ao estado gasoso quando aquecido pelo Sol. A espectroscopia também foi fundamental: análises feitas pelo Telescópio Espacial James Webb mostraram que sua coma é dominada por dióxido de carbono, apresentando uma proporção CO₂/H₂O cerca de oito vezes maior que a observada em cometas típicos do Sistema Solar. Essas descobertas não apenas confirmam sua natureza cometária, mas revelam particularidades que apontam para um local de origem totalmente diferente do nosso.

Novas características do 3I/ATLAS

Com o avanço das observações, novas características continuam surgindo. A detecção de moléculas como CN e níquel na coma permitiu estudar sua química com maior precisão, enquanto análises de polarimetria indicam que o cometa foi profundamente modificado por longos períodos de exposição a raios cósmicos no espaço interestelar. Esses dados reforçam a hipótese de que seu material se formou em um ambiente estelar distante, possivelmente em outra região da Via Láctea.

Apesar dos progressos, observar o 3I/ATLAS permanece um desafio. Seu brilho fraco, sua rápida velocidade e sua trajetória hiperbólica — que o fará deixar o Sistema Solar para nunca mais voltar — reduzem o tempo disponível para estudo. Mesmo assim, a janela aberta em novembro de 2025 já garantiu avanços científicos significativos, permitindo que os astrônomos examinem, pela terceira vez na história, um verdadeiro mensageiro vindo das profundezas interestelares.

Leia também

3I/ATLAS atinge ponto mais próximo da Terra

HiperHistória

3I/ATLAS: as teorias da conspiração sobre o cometa

HiperHistória

3I/ATLAS: um novo cometa no sistema solar

HiperHistória

Chuva de meteoros atinge pico nesta madrugada

HiperHistória

Cometa 3I/ATLAS é mais antigo que o Sistema Solar

HiperHistória

Usamos cookies para melhorar sua experiência, analisar tráfego e personalizar conteúdo. Ao continuar, você concorda. Ok Leia mais