A figura de Robin Hood, o fora da lei que roubava dos ricos para dar aos pobres, é uma das mais famosas do folclore inglês. No entanto, não há provas históricas de que Robin de Locksley tenha existido de fato. Sua trajetória nasceu da tradição oral medieval e foi sendo moldada ao longo dos séculos.
A primeira menção conhecida aparece em baladas do século XIV, quando o nome “Robyn Hode” ou “Robert Hod” era usado como apelido para criminosos comuns. A lenda foi crescendo em popularidade e se fixou como um arquétipo do herói popular, associado à resistência contra a opressão e à defesa dos mais humildes.
A construção da figura lendária
Nos séculos seguintes, poetas e contadores de histórias acrescentaram elementos à narrativa. Robin ganhou o arco e flecha como símbolo de sua habilidade, passou a viver nas florestas de Sherwood e a desafiar o xerife de Nottingham. Também foram criados seus companheiros fiéis, como João Pequeno, Frei Tuck e, posteriormente, a figura romântica de Lady Marian.
Esse processo de adição de personagens e feitos heroicos transformou Robin Hood em muito mais que um fora da lei. Ele se tornou um modelo de justiça alternativa, alguém que enfrentava as arbitrariedades dos poderosos em nome da coletividade. O mito refletia as tensões sociais da Inglaterra feudal, onde camponeses e servos sofriam com pesados impostos.
Robin Hood na cultura popular
A popularidade da lenda atravessou gerações. Do teatro isabelino ao romantismo do século XIX, autores e artistas mantiveram vivo o personagem. Escritores como Walter Scott o incluíram em suas obras, ligando-o a um imaginário medieval repleto de cavaleiros e rebeldes. Assim, Robin foi reinterpretado de acordo com cada época.
No século XX, o cinema deu ao mito projeção global. Filmes como o de 1938, estrelado por Errol Flynn, e produções mais recentes consolidaram a imagem do herói carismático, corajoso e defensor dos pobres. Séries de televisão, animações e até adaptações modernas mantiveram Robin Hood como um ícone cultural.
O mito além da história
Apesar da ausência de evidências concretas, o mito de Robin Hood persiste como uma metáfora poderosa. Ele simboliza a luta contra injustiças sociais e a esperança de que alguém desafie as estruturas de poder. Mais do que um personagem histórico, Robin representa valores universais de liberdade, coragem e solidariedade.
Assim, Robin de Locksley nunca existiu como pessoa real. Mas, como mito, atravessou séculos de narrativa popular e ainda inspira obras de arte, literatura e cinema. O herói das florestas, nascido da imaginação coletiva, continua vivo na memória cultural do Ocidente.
