Durante as obras de remodelação do antigo edifício da Debenhams, situado na King’s Square, Gloucester, na Inglaterra, arqueólogos da Cotswold Archaeology, a pedido da Universidade de Gloucestershire, desenterraram 317 esqueletos humanos, além de diversos artefatos que remontam à eras romana, medieval e pós-medieval.
Além dos 317 esqueletos, os arqueólogos localizaram 83 sepulturas com abóbadas de tijolos, associadas à igreja de St Aldate’s, construída por volta de 1750. Também foram achados vestígios de uma igreja medieval anterior, estruturalmente contrastada por fragmentos arquitetônicos como um arco de janela ornamental datado do século XIV.
Detalhes dos esqueletos
Sob as camadas históricas posteriores, revelou-se um pavimento de calçadas de pedra (possivelmente parte de uma estrada romana do século II), partes de uma casa romana e cerâmicas datadas desse período. Também foram encontrados tijolos e telhas, possivelmente associados à via romana.
A escavação ocorreu na base do edifício — anteriormente o setor masculino da loja Debenhams — e foi conduzida por Cotswold Archaeology após a detecção inicial de estruturas funerárias durante sondagens preliminares. O trabalho incluiu levantamento arquitetônico, exumação cuidadosa dos restos humanos e registro de artefatos contextuais.
Estudos sobre os restos humanos
Os restos humanos permitirão estudos aprofundados sobre saúde pública ao longo dos séculos. Por exemplo, já foi observado o impacto do aumento do consumo de açúcar nos dentes dos séculos XVI–XVII. A universidade planeja exibir os artefatos no novo campus, criando um espaço que une ensino moderno com valorização histórica.
A descoberta de 317 esqueletos, aliada a estruturas romanas, medievais e pós-medievais, torna o local um verdadeiro arquivo histórico subterrâneo de Gloucester. O futuro campus da Universidade de Gloucestershire será, portanto, não só um espaço educacional, mas também uma vitrine viva da história da cidade. A continuação das análises científicas promete revelar ainda mais sobre a vida, morte e evolução urbana pelo menos nos últimos mil anos.
