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Morre Mino Carta, ícone do jornalismo brasileiro

Morre Mino Carta, ícone do jornalismo brasileiro
Crédito: CartaCapital

O jornalista Mino Carta morreu nesta terça-feira, 2 de setembro de 2025, aos 91 anos, após enfrentar um quadro persistente de problemas de saúde que o manteve internado por semanas na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Mino era diretor de redação da CartaCapital, revista lançada por ele em 1994.

A trajetória de Mino Carta

A carreira de Mino abrangeu desde o comando da Quatro Rodas, ainda sem saber diferenciar modelos de carro, até a fundação das influentes revistas Veja (1968), IstoÉ (1976) e CartaCapital (1994). Também participou da criação do Jornal da Tarde (1966) e do efêmero Jornal da República (1979). O Jornal da Tarde destacou-se pelo layout moderno e pela qualidade literária, influenciando gerações de jornalistas. Já o Jornal da República, lançado durante o processo de abertura política, foi um projeto ousado que não sobreviveu por questões financeiras e pela resistência dos grandes jornais.

Uma voz crítica na ditadura

Durante a ditadura militar, Mino exercia um jornalismo corajoso, denunciando abusos e torturas. A Veja, sob seu comando, publicou reportagem emblemática que se tornou um marco contra a censura.

Seu trabalho foi exaltado por figuras como o presidente Lula, que decretou três dias de luto oficial. Lançada em 1994, a CartaCapital se firmou como voz progressista e crítica, com linha editorial independente e compromisso com a verdade. A revista busca oferecer uma alternativa às publicações conservadoras, com análise política contundente.

Legado e influência

Mino Carta deixou um legado de independência editorial, coragem e estilo. Ele foi autor de romances como Castelo de Âmbar (2000) e A Sombra do Silêncio (2003), em que explorava o universo da imprensa com verve crítica e literária. Reconhecido pela Academia Cásper Líbero como doutor honoris causa, foi também premiado como Jornalista Brasileiro de Maior Destaque em 2006

A morte de Mino Carta deixou o jornalismo brasileiro órfão de uma voz intransigente, fiel aos fatos e incisiva contra o poder. O presidente Lula destacou sua contribuição decisiva para a consolidação da democracia e para a formação de gerações de profissionais comprometidos com a liberdade de imprensa.

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