A nomeação de bispos no catolicismo segue um processo longo, colegiado e de rara visibilidade pública. Apesar de contar com várias etapas e consultas, a decisão final é sempre tomada pelo Papa, que detém autoridade exclusiva sobre a escolha.
O processo começa localmente. O bispo diocesano, diante da necessidade de nomear um bispo auxiliar ou diante da vacância de uma diocese, propõe nomes de padres aptos ao cargo. Essa lista, geralmente tríplice, é enviada ao núncio apostólico, representante do Papa no país. Cabe ao núncio realizar investigações discretas sobre os candidatos, consultando outros bispos, sacerdotes e até leigos de confiança.
Depois dessa etapa, o núncio elabora um relatório detalhado com a sua avaliação e preferências. Esse documento segue para o Dicastério para os Bispos, no Vaticano, responsável por analisar as propostas vindas do mundo inteiro. Ali, os cardeais e arcebispos membros discutem os nomes apresentados, podendo aceitá-los, solicitar novas indicações ou alterar a ordem de prioridades.
Decisão final do Papa
Após a análise no Dicastério, as recomendações são levadas ao Papa em audiência particular. Cabe a ele tomar a decisão final, aceitando ou não os candidatos sugeridos. Quando o escolhido é aprovado, o núncio comunica a decisão diretamente ao padre indicado. Se este aceitar, o Vaticano anuncia publicamente a nomeação, oficializando-o como bispo auxiliar ou diocesano.
Embora a palavra final seja sempre do Papa, o processo não é exclusivamente pessoal. A escolha é fruto de uma ampla rede de consultas, avaliações e recomendações que envolvem bispos locais, o núncio apostólico e os membros do Dicastério. O sigilo é absoluto e, por isso, o procedimento pode levar de seis meses a mais de um ano, até que se chegue a uma decisão definitiva.
Número atual de bispos no mundo
Segundo o Anuário Pontifício 2025, publicado pelo Vaticano, o número global de bispos cresceu 1,4% em relação ao ano anterior. Em 2022 eram 5.353, passando a 5.430 em 2023. Esses dados confirmam que, apesar da redução no número de padres em algumas regiões, o episcopado continua em leve crescimento.
Outras fontes, como a agência ZENIT, apontam um número um pouco diferente: 5.340 bispos no mesmo período. Essa pequena divergência se explica pelos critérios de contagem, já que algumas estatísticas incluem apenas bispos ativos, enquanto outras somam também os bispos eméritos, aposentados, ou ainda aqueles que exercem funções diplomáticas.
No total, os bispos estão distribuídos entre dioceses e arquidioceses, além de cargos auxiliares e administrativos dentro da Cúria Romana. Essa estrutura garante a presença da autoridade episcopal em praticamente todos os continentes, refletindo a dimensão global da Igreja Católica e sua necessidade de liderança pastoral.
