Dom Pedro I faleceu em 24 de setembro de 1834, em Queluz, Portugal, após uma doença prolongada. Como também era Pedro IV, rei de Portugal, foi sepultado com honras de chefe de Estado. O corpo foi velado na cidade do Porto, onde havia abdicado em favor de sua filha, D. Maria II, e depois foi levado ao Panteão da Casa de Bragança, em Lisboa. Esse funeral reafirmou sua importância política tanto para o Brasil quanto para Portugal.
Sua primeira esposa, a imperatriz Dona Leopoldina, falecera ainda em 1826, no Rio de Janeiro, em circunstâncias de grande fragilidade emocional e física. Ela foi sepultada no Convento da Ajuda e, posteriormente, transferida para o Monumento do Ipiranga, em São Paulo. Os restos mortais de Dona Leopoldina nunca deixaram o Brasil, uma vez que ela representava figura simbólica da Independência.
Em contraste, Dona Amélia de Leuchtenberg, segunda esposa de Dom Pedro I, viveu longos anos na Europa após a morte do marido. Ela residiu principalmente na França e, ao falecer em 1873, foi sepultada no Panteão dos Braganças, em Lisboa, unindo-se postumamente ao espaço de descanso da dinastia.
O traslado do imperador para o Brasil
O traslado dos restos de Dom Pedro I só ocorreu em 1972, durante as comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil. A decisão foi política, tomada pelo governo militar de Emílio Garrastazu Médici, para reforçar o sentimento patriótico. Os restos mortais foram transportados de Portugal e recebidos em São Paulo com grandes homenagens cívicas.
Na ocasião, os restos do imperador foram colocados na cripta do Monumento à Independência, no bairro do Ipiranga. Esse local já abrigava os despojos de Dona Leopoldina e, mais tarde, também receberia Dona Amélia, completando o túmulo imperial em território brasileiro.
O descanso final no Ipiranga
Assim, a cripta do Monumento do Ipiranga reúne os três protagonistas da monarquia brasileira: Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia. O gesto de unir os corpos no mesmo espaço foi simbólico, representando a memória da Independência e da construção do Império.
O funeral de Dom Pedro I, portanto, não se encerrou em 1834, mas teve continuidade ao longo de quase 140 anos. Do sepultamento em Portugal até a reunião com suas esposas em São Paulo, sua trajetória póstuma expressa tanto a dimensão política de sua vida quanto o peso simbólico de sua memória para a história do Brasil.
