Publicado em 1977, Tieta do Agreste tornou-se um dos livros mais populares de Jorge Amado, rapidamente traduzido para diversas línguas e com milhões de exemplares vendidos. A trama acompanha a história de Antonieta, expulsa da cidade fictícia de Santana do Agreste ainda jovem, acusada de comportamento escandaloso e de não se enquadrar nas rígidas normas morais locais. Anos depois, ela retorna rica e poderosa, surpreendendo os antigos desafetos e provocando mudanças profundas na vida social e política do lugar.
O enredo combina humor, erotismo e crítica social, características marcantes da obra amadiana, que sempre buscou retratar o cotidiano com uma linguagem popular e acessível. O romance reflete a hipocrisia moral de uma sociedade conservadora, ao mesmo tempo em que exalta a força feminina, a irreverência e a vitalidade do sertão baiano. É considerado por muitos estudiosos um dos romances mais provocativos do autor.
Da literatura às telas e ao horário nobre
Em 1996, Tieta ganhou uma bem-sucedida adaptação na televisão, levada ao ar no horário nobre da Rede Globo. A novela, escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, foi estrelada por Betty Faria no papel-título e alcançou altos índices de audiência durante meses. O folhetim televisivo ampliou a popularidade da personagem, transformando-a em ícone da teledramaturgia brasileira e uma das heroínas mais lembradas da década de 1990.
No cinema, a obra também foi adaptada no mesmo ano, com o filme Tieta do Agreste, dirigido por Cacá Diegues e estrelado por Sonia Braga, que já havia marcado a literatura de Jorge Amado em Gabriela. A versão para as telonas buscou aproximar-se do tom crítico e sensual presente no livro, explorando temas como a opressão patriarcal e a resistência feminina. Apesar de não alcançar o mesmo impacto popular da novela, foi elogiada pela crítica pela fidelidade ao espírito do romance.
Tieta no imaginário
Essas adaptações ajudaram a consolidar Tieta como parte do imaginário cultural brasileiro, atravessando gerações e mídias diferentes. Tanto na literatura quanto nas telas, a personagem segue como símbolo da irreverência, da luta contra os preconceitos e da afirmação da mulher em uma sociedade marcada por contradições e desigualdades. O mito de Tieta ecoa até hoje como representação de liberdade e enfrentamento.
Mais de quatro décadas após sua publicação, Tieta do Agreste permanece atual, lembrada como uma das criações mais fortes de Jorge Amado e um marco da ficção brasileira contemporânea. A personagem, ao mesmo tempo sedutora e contestadora, sintetiza a capacidade do autor em unir entretenimento, crítica social e identidade cultural baiana em uma narrativa inesquecível.
