No dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga, Dom Pedro proclamou o famoso “Independência ou Morte”. A frase marcou o momento simbólico em que o príncipe regente deixou claro que não obedeceria mais às ordens das Cortes de Lisboa, que exigiam sua volta a Portugal e a submissão do Brasil à condição colonial.
A expressão não era apenas um grito de coragem, mas uma declaração política: tratava-se de afirmar a autonomia do Brasil diante da metrópole. Dom Pedro deixava claro que, se fosse necessário, o rompimento com Portugal seria defendido pela força.
O Brasil poderia enfrentar Portugal?
Apesar da força do brado, a situação militar era delicada. Portugal ainda mantinha tropas em diversas regiões brasileiras, especialmente na Bahia, no Maranhão e no Pará, o que dificultava a consolidação imediata da Independência. O Rio de Janeiro e parte do Sul já estavam sob influência de Dom Pedro, mas a resistência portuguesa era real.
O Brasil, contudo, tinha vantagens estratégicas. A extensão territorial dificultava a ação de Lisboa, que dependia de envio de tropas por mar. Além disso, o apoio de oficiais estrangeiros, como o almirante inglês Thomas Cochrane, fortaleceu a marinha brasileira nascente. Houve batalhas importantes, como a da Independência da Bahia, em 1823, que consolidaram a vitória brasileira.
Independência, política e guerra
O grito de Dom Pedro não encerrou o processo, mas o inaugurou de forma irreversível. Nos meses seguintes, o Brasil se envolveu em confrontos armados, ao mesmo tempo em que buscava reconhecimento internacional. Os custos militares foram altos, e a jovem nação precisou recorrer a empréstimos para manter a guerra contra Portugal.
Ainda assim, a Independência se concretizou em 1825, quando Portugal reconheceu oficialmente a soberania brasileira em troca de compensações financeiras. Assim, a célebre frase “Independência ou Morte” não foi apenas um ato retórico, mas o anúncio de um caminho sem volta, sustentado tanto pela política quanto pela força das armas.
