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A morte de Dom Pedro I: história e legado

A morte de Dom Pedro I: história e legado
Foto: Ilustração HiperHistória

Dom Pedro I faleceu no Palácio de Queluz, em Portugal, em 24 de setembro de 1834, aos 35 anos. A causa oficial de sua morte foi a tuberculose, uma doença incurável no século XIX. Seu estado de saúde, já frágil, foi severamente agravado pelas privações e ferimentos sofridos durante a Guerra Civil Portuguesa, onde liderou as forças liberais. Vestido com o uniforme de generalíssimo do Exército Brasileiro em seu leito de morte, ele pediu que seu coração fosse enviado à cidade do Porto como gratidão.

Em Portugal, Dom Pedro, agora reconhecido como Dom Pedro IV, foi imediatamente consagrado como um herói nacional. Sua vitória na guerra civil e a outorga da Carta Constitucional lhe renderam o título de “O Libertador” ou “Rei-Soldado”. Sua memória é perpetuada por grandiosas estátuas equestres, como a no Rossio, em Lisboa, e seu coração permanece guardado em um solene mausoléu na Igreja da Lapa, no Porto, cumprindo seu último desejo.

A morte foi vista com indiferença no Brasil

Em contraste, a sua morte foi recebida com indiferença no Brasil. Após abdicar do trono em 1831, sua imagem estava profundamente desgastada junto à elite política e à população. Ele era visto como um governante autoritário, envolvido em escândalos e mais interessado na sucessão do trono português do que no Brasil. Portanto, não houve luto nacional ou grandes homenagens no país que ele próprio havia fundado.

O processo de reabilitação de sua figura foi lento e intencional. Durante o longo Segundo Reinado de seu filho, Dom Pedro II, a memória do primeiro imperador foi mantida de forma discreta, quase como um assunto privado da família imperial, sem grandes celebrações públicas que pudessem remeter ao seu governo conturbado.

O momento decisivo para a transformação de sua imagem ocorreu em 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência. O governo republicano, buscando criar uma narrativa unificadora e heróis nacionais, elegeu o Grito do Ipiranga como o mito fundador da nação. Dom Pedro I foi reposicionado como a figura central e heroica desse evento, suprimindo-se as complexidades de seu governo.

A reabilitação de Dom Pedro I

Como parte dessa nova narrativa, grandiosos monumentos foram encomendados, sendo a imponente estátua equestre no Parque da Independência, em São Paulo, a mais emblemática. Esse ato simbólico cementou visualmente sua nova posição como “O Herói da Independência” no imaginário popular brasileiro.

A consagração definitiva ocorreu em 1972, durante as comemorações do Sesquicentenário da Independência pelo regime militar. Seus restos mortais foram trasladados de Portugal e depositados com honras de Estado na Cripta Imperial do Monumento à Independência, no Ipiranga. Este local tornou-se seu mausoléu oficial e local de perene homenagem.

Assim, a importância de Dom Pedro I no Brasil foi construída a posteriori. De monarca rejeitado em 1834, ele foi transformado, principalmente a partir de 1922, em um símbolo nacional e no personagem fundamental da epopeia da independência, uma imagem que permanece até os dias atuais.

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