A disputa entre Dom Pedro I e Dom Miguel marcou a história de Portugal e deixou reflexos no Brasil. O imperador brasileiro, ao assumir a coroa portuguesa como Pedro IV, entrou em um dos conflitos dinásticos mais decisivos do século XIX.
Em 1826, com a morte de Dom João VI, Pedro herdou também o trono de Portugal. Para manter a independência do Brasil, ele outorgou a Carta Constitucional e abdicou da coroa em favor de sua filha, Dona Maria da Glória. O arranjo parecia conciliador, mas rapidamente foi rompido.
A usurpação de Dom Miguel e a abdicação no Brasil
Dom Miguel, que deveria jurar fidelidade à sobrinha e governar em nome dela, traiu o acordo. Em 1828, assumiu o poder absoluto, dissolveu instituições constitucionais e iniciou perseguições políticas. O reino mergulhou em uma crise que opôs miguelistas, favoráveis ao absolutismo, e liberais, defensores da Carta.
Diante da situação, Pedro decidiu agir. Em 7 de abril de 1831, abdicou do trono brasileiro em favor de seu filho, Dom Pedro II, e partiu para a Europa. Sua missão era restaurar o trono de Maria II e o regime constitucional em Portugal, enfrentando diretamente o irmão.
A guerra civil e a vitória liberal
Em 1832, Pedro desembarcou em Portugal e instalou-se no Porto, onde resistiu ao famoso cerco das tropas miguelistas. Mesmo enfraquecido, conseguiu reunir apoio internacional, sobretudo da Inglaterra e da França, além de voluntários que se uniram à causa liberal.
No ano seguinte, os liberais conquistaram Lisboa e avançaram pelo território. A batalha final ocorreu em Asseiceira, em maio de 1834, forçando Miguel a assinar a Convenção de Évora-Monte. Com isso, ele partiu para o exílio e Maria II foi reconhecida como rainha constitucional.
Pedro, já gravemente doente, viveu apenas mais alguns meses no Palácio de Queluz, onde faleceu em setembro de 1834, aos 35 anos. Nunca mais retornou ao Brasil, mas deixou como legado a vitória do liberalismo em Portugal e a continuidade da monarquia no Brasil sob Dom Pedro II.
