O 7 de Setembro, data que marca a Independência do Brasil, guarda episódios e curiosidades que muitas vezes passam despercebidos nos livros escolares. Mais do que um simples grito às margens do rio Ipiranga, o processo envolveu disputas políticas, pressões internacionais e contradições que até hoje alimentam o debate histórico.
O grito que talvez não tenha existido
Embora seja um dos momentos mais icônicos da história brasileira, o famoso “Independência ou Morte” possivelmente nunca foi dito da forma que a pintura de Pedro Américo eternizou. Historiadores defendem que o episódio foi menos dramático e mais burocrático, marcado por uma comunicação oficial e pela leitura de cartas que Dom Pedro I recebera de Lisboa.
O papel de Dona Leopoldina
Muitas vezes esquecida, a imperatriz Leopoldina teve papel decisivo no 7 de Setembro. Dias antes do grito, ela presidiu o Conselho de Estado e assinou documentos que reforçavam a ruptura com Portugal. Seu posicionamento firme convenceu Dom Pedro de que não havia mais retorno.
Outra curiosidade é que a Inglaterra desempenhou papel fundamental. Embora Londres fosse aliada de Portugal, também tinha interesse em um Brasil independente, pois isso ampliava seu espaço para comércio. Essa pressão diplomática acelerou o processo, mesmo que a independência não tenha sido reconhecida oficialmente de imediato.
A data não foi a única opção
O 7 de Setembro tornou-se o marco oficial, mas a independência poderia ter sido associada a outros momentos. Em agosto de 1822, o “Fico” já havia demonstrado a intenção de Dom Pedro em permanecer no Brasil. Além disso, em diferentes províncias, os atos de resistência e adesão ocorreram em datas distintas.
Apesar da proclamação, o Brasil não conquistou liberdade imediata. Portugal só reconheceu a independência em 1825, mediante um acordo mediado pela Inglaterra. O novo império ainda teve de pagar indenizações e assumir dívidas portuguesas, mostrando que a ruptura também foi marcada por interesses econômicos.
O mito e independência
Por fim, o 7 de Setembro foi moldado como símbolo patriótico ao longo do século XIX e XX. Escolas, desfiles e pinturas ajudaram a fixar a imagem do grito do Ipiranga como um momento heróico. Essa construção reforçou o nacionalismo, mas deixou de lado nuances e contradições que tornam a independência um processo muito mais complexo.
