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Alcorão: o livro sagrado do Islã

Alcorão: o livro sagrado do Islã

O Alcorão (ou Corão, em português) é o livro sagrado do Islã, considerado pelos muçulmanos a revelação literal de Deus (Alá) ao profeta Maomé. Diferente de textos religiosos que nasceram de tradições orais ou da obra de vários autores, os muçulmanos acreditam que o Corão foi revelado palavra por palavra, ao longo de cerca de vinte e três anos, entre 610 e 632, quando Maomé faleceu. Essas revelações foram transmitidas pelo anjo Gabriel e recitadas por Maomé aos seus seguidores.

No início, o conteúdo do Corão não foi reunido em forma de livro. Ele era memorizado e recitado pelos primeiros muçulmanos — a própria palavra Corão vem da raiz árabe qara’a, que significa “recitar”. Muitos discípulos próximos de Maomé, chamados huffaz, se dedicavam a decorar integralmente a revelação. Paralelamente, trechos foram registrados em suportes variados, como ossos, peles, folhas de palmeira e fragmentos de pedra.

A preservação do texto sagrado

Após a morte do profeta, surgiu a preocupação em preservar o texto sagrado de maneira uniforme. O califa Abu Bakr, primeiro sucessor de Maomé, reuniu em um códice único os fragmentos e a memória oral, tarefa atribuída a Zayd ibn Thabit, escriba de confiança do profeta. Mais tarde, no governo do califa Uthman ibn Affan (644–656), uma versão oficial foi estabelecida para evitar divergências entre as recitações em diferentes regiões. Uthman ordenou cópias dessa edição e enviou-as para centros importantes do império islâmico, destruindo as variações existentes.

A disposição interna do Corão é peculiar. Ele contém 114 capítulos, chamados suras, e cada sura é composta de versículos, os ayas. A organização não segue ordem cronológica de revelação, mas sim um critério de extensão: em geral, as suras mais longas estão no início, e as mais curtas, no fim. A exceção é a primeira sura, Al-Fatiha (“A Abertura”), uma breve oração que ocupa papel central na liturgia muçulmana.

O estilo do texto é fortemente poético e rítmico, o que facilita a memorização e a recitação. Muitos versículos apresentam rimas internas e cadências próprias do árabe clássico do século VII. Além disso, as suras são divididas entre aquelas reveladas em Meca — de tom mais espiritual, ético e voltado à fé — e as reveladas em Medina, que tratam também de leis, normas sociais e organização da comunidade islâmica.

Os comentários no Alcorão

Ao longo da história islâmica, comentaristas (mufassirun) produziram extensas obras de exegese, chamadas tafsir, para explicar o sentido dos versículos. Isso porque o Corão combina passagens claras e objetivas com trechos alegóricos ou de difícil compreensão, exigindo interpretação. Essa tradição de comentários ajudou a moldar não apenas a teologia islâmica, mas também o direito, a filosofia e a literatura árabe.

Em síntese, o Corão é mais que um texto religioso: é também um guia de vida, uma obra literária central da língua árabe e um elemento unificador da identidade muçulmana. Sua escrita resultou da combinação entre recitação oral, registro escrito fragmentado e posterior padronização pelos primeiros califas. Sua disposição, com suras organizadas por extensão e não por tempo, dá ao livro uma forma singular, que favorece tanto a devoção quanto o estudo contínuo.

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