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Como a imprensa cobriu a Guerra do Paraguai?

Como a imprensa cobriu a Guerra do Paraguai?
Retrato de Victor Meirelles - Batalha de Riachuelo

A Guerra do Paraguai (1864–1870) mobilizou um intenso fluxo de informação entre os países envolvidos. No Brasil, jornais ilustrados da Corte como a Semana Ilustrada, editada por Henrique Fleiuss, foram pioneiros ao incorporar gravuras baseadas em fotografias — um tipo híbrido entre imagem e reportagem que marca os primórdios do fotojornalismo no país. Já no Paraguai, a imprensa era inteiramente controlada pelo Estado, voltada para a propaganda, sem espaço para críticas internas.

No Brasil, a imprensa ilustrada lucrou com a disseminação de imagens bélicas: litografias e uma “febre de retratos” de soldados e oficiais mobilizaram o público. As ilustrações serviam como “lembrança viva dos custos da guerra” para famílias e apoiadores. Isso incluiu retratos de figuras como o próprio imperador D. Pedro II trajado com uniforme militar, reforçando a dimensão simbólica da cobertura.

Diversidade editorial no Brasil

Apesar do entusiasmo inicial, a cobertura no Brasil não foi uniforme. Depois de um período de patriotismo, a imprensa urbana passou a demonstrar insatisfação com os rumos da guerra, especialmente após derrotas como Curupaiti (1866), passando a criticar o conflito. Além disso, jornais oposicionistas, como A Reforma e A República, atuaram após 1869 criticando a política brasileira em relação ao Paraguai e a condução da guerra

No Sul do Brasil, o jornal A Sentinela do Sul (Porto Alegre, 1867–1869) destacou-se ao usar caricaturas e litografias para abordar questões da guerra, misturando crítica pública e entretenimento visual. Essa imprensa caricata incluía ainda outros exemplares como O Século, A Lanterna e O Fígaro, todos influenciados por essa estética humorística.

A imprensa paraguaia como ferramenta de propaganda

No Paraguai, surgiu a partir de 1867 o periódico de trincheira El Centinela, fundado em 25 de abril de 1867, que combinava tons sérios e jocosos (“sério-jocoso”) e visava informar os combatentes, reforçar o moral, satirizar o inimigo e reverenciar Solano López. Também foi lançado El Cabichuí em maio de 1867 — uma publicação bi-semanal próxima da linha de frente, com caricaturas violentas e sátiras diretas ao inimigo, impressa em guarani, espanhol e até português

El Cabichuí se notabilizou pelas xilogravuras que retratavam brasileiros e o próprio imperador como “macacos” ou “negros”, carregadas de carga racista e estigmatizante. As ilustrações eram produzidas por soldados e sargentos paraguaios (como Inocencio Aquino, Gregorio Acosta, Satúrio Ríos), o que imprimia espontaneidade e força emocional ao traço, ainda que desprovido de formação artística acadêmica.

O papel da imprensa na Guerra do Paraguai

Em síntese, a imprensa brasileira oscilava entre apoio entusiástico ao esforço de guerra — por meio das imagens mobilizadoras e um sentimento nacionalista — e críticas emergentes dos setores de oposição conforme o custo humano e político da guerra se acentuava. No Paraguai, a imprensa era homogênea, estatal, com forte viés de propaganda nacionalista: jornais como El Centinela e El Cabichuí funcionavam como motivadores de moral, instrumentos de guerra simbólica e identificação com Solano López, utilizando linguagem popular, imagens caricatas e mensagens diretas à tropa.

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