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A morte de Alexandre, o Grande

A morte de Alexandre, o Grande
Mosaico de Alexandre - Foto: Domínio Público

A morte de Alexandre, o Grande, na madrugada de 10 ou 11 de junho de 323 a.C., no Palácio de Nabucodonosor II na Babilônia, não foi apenas o fim de um homem, mas um evento catastrófico que abalou os alicerces do mundo antigo. Com apenas 32 anos, o conquistador que havia forjado um império colossal desde a Grécia até as fronteiras da Índia, subjugando o poderoso Império Persa, sucumbiu de forma abrupta e misteriosa. Sua morte, longe de ser um epílogo heroico em algum campo de batalha distante, foi um evento lento, agonizante e cercado de controvérsias que ecoaria através dos séculos, marcando o fim abrupto da Era Helenística e o início de um violento período de guerras pelo poder.

Os eventos que levaram ao seu colapso começaram cerca de doze dias antes, durante um banquete em homenagem ao almirante Nearco. Após consumir uma grande taça de vinho não misturado em honra de Hércules, Alexandre foi tomado por uma dor súbita e lancinante, gritando como se tivesse sido ferido por uma lança. A partir daí, sua saúde declinou rapidamente. Ele foi levado para seus aposentos, onde uma febre debilitante se instalou, acompanhada de dores musculares, fraqueza extrema e, posteriormente, a perda da voz. O homem que era visto como semideus estava agora prostrado, incapaz de comandar até mesmo seu próprio corpo.

Morte de Alexandre, o Grande continua um mistério

O diagnóstico preciso da doença que matou Alexandre permanece um dos maiores mistérios da história antiga, com historiadores e médicos modernos propondo mais de vinte causas diferentes. As teorias incluem doenças infecciosas comuns na época, como malária, febre tifoide ou febre do Nilo Ocidental, agravadas pelo possível esgotamento físico e pelas feridas anteriores. Outra linha de pensamento sugere envenenamento, uma hipótese alimentada pelos relatos de alguns historiadores antigos, como Plutarco, que mencionam suspeitas contra generais próximos, talvez até mesmo o próprio Aristóteles, usando uma toxina tão poderosa que foi armazenada no casco de um mulo. No entanto, a natureza prolongada de sua agonia (cerca de 12 dias) torna o envenenamento por metais pesados, como arsênio, menos provável para muitos especialistas.

“Para o mais forte”

A morte de Alexandre, o Grande
O enterro de Alexandre, o Grande – Foto: Domínio Público

Independentemente da causa, os últimos dias de Alexandre foram um espetáculo público e angustiante. Consciente de que o fim se aproximava, mas já sem voz para comandar, ele testemunhou seus generais e soldados mais leais desfilarem diante de sua cama em silêncio, num último adeus. A cena era carregada de um profundo simbolismo: o exército invencível que havia marchado até os confins do mundo agora paralisado diante da impotência de seu líder. Quando questionado sobre quem herdaria seu império, a lenda diz que suas últimas palavras foram “Para o mais forte” (em grego, “τῷ κρατίστῳ” – tôi kratistôi), uma profecia ambígua que selou o destino de seu legado.

O vácuo de poder criado por sua morte foi imediato e absoluto. Alexandre não havia nomeado um sucessor claro, e seu único herdeiro direto, Roxana, ainda estava grávida (o futuro Alexandre IV). O império, uma colcha de retalhos de culturas unificadas apenas pela força de sua vontade e pelo medo de seu exército, começou a se desfazer instantaneamente. Os generais de Alexandre, os Diádocos (“Sucessores”), que outrora lutaram ombro a ombro com ele, rapidamente se voltaram uns contra os outros em uma série de conflitos brutais e intermitentes conhecidos como as Guerras dos Diádocos, que durariam décadas e resultariam na fragmentação do império em vários reinos

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