A extinção de espécies animais não é um fenômeno exclusivo da era moderna, marcada pelo crescimento populacional e pela industrialização. Desde o século XIX, já era possível observar os impactos da ação humana sobre a biodiversidade, com a caça predatória, a destruição de habitats e a introdução de espécies exóticas em ecossistemas frágeis. Esse período foi decisivo para a percepção de que o progresso humano poderia causar danos irreversíveis à natureza.
Animais instintos e mudanças de cossistemas
Diversos animais importantes desapareceram nesse século, alguns deles em poucos anos após o início de sua exploração comercial. Essas extinções não apenas representaram perdas biológicas, mas também transformaram ecossistemas inteiros, que dependiam da presença dessas espécies. A seguir, cinco exemplos emblemáticos de animais que desapareceram no século XIX.
1. Pássaro Dodô (Raphus cucullatus)

Habitante da ilha de Maurício, no Oceano Índico, o dodô já havia desaparecido antes de 1700, mas foi no século XIX que se consolidou a certeza científica de sua extinção. Vítima da caça, da introdução de animais como cães e porcos, e da destruição de seu habitat, o dodô tornou-se símbolo da vulnerabilidade das espécies insulares. Embora tenha sido extinto mais cedo, sua confirmação e registro histórico se deram no século XIX, quando naturalistas o estudaram a partir de restos.
2. Quagga (Equus quagga quagga)

O quagga era uma subespécie de zebra que vivia na África do Sul. Diferenciava-se por ter listras apenas na parte frontal do corpo, enquanto a parte traseira era marrom uniforme. Foi caçado intensamente por colonos europeus no século XIX, tanto por sua carne quanto por competir com o gado nos pastos. O último exemplar conhecido morreu em 1883 no zoológico de Amsterdã.
3. Grande Alca (Pinguinus impennis)

A grande alca era uma ave marinha do Atlântico Norte, semelhante a um pinguim, mas incapaz de voar. Habitava regiões frias, como Groenlândia, Islândia e Canadá. Valorizada por sua carne, ovos e penas, foi caçada de maneira intensa até desaparecer completamente. O último casal foi morto em 1844, na Islândia, selando o fim dessa espécie adaptada ao clima gelado.
4. Pomba-passageira (Ectopistes migratorius)

Considerada uma das aves mais abundantes do planeta, a pomba-passageira habitava a América do Norte e voava em bandos de milhões de indivíduos. A caça comercial em larga escala e a destruição das florestas levaram ao colapso de sua população em poucas décadas. Embora o último exemplar tenha morrido em cativeiro em 1914, a espécie já estava praticamente extinta no final do século XIX.
5. Tigre-do-cáspio (Panthera tigris virgata)

Esse grande felino vivia nas regiões da Ásia Central, incluindo Irã, Turquia e áreas próximas ao Mar Cáspio. Era caçado por sua pele e por representar ameaça ao gado, além de ter seu habitat destruído pelo avanço agrícola. Embora tenha resistido até o início do século XX, sua drástica redução populacional no século XIX marcou o processo de extinção que seria completado em poucas décadas.
