Sobhuza II, nascido em 22 de julho de 1899, foi o monarca que reinou por mais tempo na história africana e um dos mais longevos do mundo. Ele assumiu o trono de Essuatíni (então Suazilândia) ainda bebê, em 10 de dezembro de 1899, após a morte de seu pai, Ngwane V. Na época, a região estava sob o domínio britânico, e o governo era exercido por um conselho de regentes até que Sobhuza atingisse a maioridade. Sua coroação formal como rei só ocorreu em 1921, quando tinha 22 anos.
Ao longo de seu reinado, Sobhuza II testemunhou profundas mudanças políticas e sociais no continente africano. Ele liderou seu povo durante o período do protetorado britânico, mantendo uma relação diplomática com as autoridades coloniais, mas também trabalhando para preservar as tradições e autonomia de seu reino. Uma de suas prioridades foi fortalecer a identidade cultural suazi, mantendo vivas cerimônias e costumes tradicionais, como a famosa dança Umhlanga (Dança das Canas).
Sobhuza II e a independência do Reino Unido
O momento mais marcante de sua trajetória política ocorreu em 1968, quando Essuatíni conquistou a independência do Reino Unido. Sobhuza II se tornou chefe de Estado soberano e, diferentemente de outros países africanos que adotaram modelos ocidentais, optou por um sistema de monarquia absoluta, com forte centralização do poder nas mãos do rei e de seus conselheiros tradicionais.
Em 1973, ele deu um passo controverso ao abolir a constituição do país, banir os partidos políticos e instaurar um regime de governo baseado nos costumes suazis, sob sua autoridade direta. Essa decisão foi justificada por Sobhuza como uma forma de evitar conflitos políticos e preservar a unidade nacional, mas também recebeu críticas por limitar as liberdades democráticas.
Sua vida pessoal foi igualmente impressionante. Sobhuza II foi polígamo, seguindo a tradição de seu povo, e acredita-se que tenha tido cerca de 70 esposas oficiais e mais de 200 filhos, o que o torna um dos líderes com maior descendência documentada na história moderna. Ele era visto como uma figura paternal para a nação, combinando carisma pessoal com habilidade política.
A morte do rei e a ascensão de Mswati III
Sobhuza II faleceu em 21 de agosto de 1982, aos 83 anos, após um reinado de quase 83 anos, um recorde absoluto na África e raramente igualado no mundo. Sua morte marcou o fim de uma era e deixou o país em um momento de transição, que culminaria, anos depois, na ascensão de seu filho, o atual rei Mswati III.
Até hoje, Sobhuza II é lembrado como um símbolo da identidade nacional de Essuatíni, uma figura que conseguiu manter um pequeno país africano estável durante um século marcado por guerras, descolonização e mudanças rápidas. Seu legado é debatido: para muitos, ele foi um líder sábio que preservou tradições e coesão; para outros, um governante autoritário que restringiu a abertura política. De qualquer forma, sua história é única na monarquia mundial.
