O movimento neopentecostal é uma vertente mais recente dentro do cristianismo protestante, que surgiu na segunda metade do século XX. Ele se insere no contexto do pentecostalismo, mas com características próprias, sobretudo no foco em temas como prosperidade financeira, guerra espiritual e uso intensivo de meios de comunicação. Para entender suas origens, é preciso voltar ao processo mais amplo de ruptura com a Igreja Católica, que começou séculos antes, na Reforma Protestante do século XVI.
A separação inicial da Igreja de Roma ocorreu no contexto da Reforma, liderada por figuras como Martinho Lutero, João Calvino e Ulrico Zuínglio. O rompimento, iniciado em 1517, não deu origem diretamente ao pentecostalismo, mas abriu o caminho para uma pluralidade de tradições protestantes. O protestantismo chegou à América do Norte no século XVII com os puritanos e outras comunidades reformadas, onde se desenvolveu em um ambiente de liberdade religiosa.
Pentecostalismo nasceu nos Estados Unidos
O pentecostalismo propriamente dito nasceu nos Estados Unidos no início do século XX, tendo como marco o avivamento da Rua Azusa, em Los Angeles, em 1906, liderado pelo pregador afro-americano William J. Seymour. Esse movimento enfatizava experiências espirituais intensas, como falar em línguas, curas e profecias. As primeiras ondas pentecostais inspiraram missionários que levaram a nova doutrina para outros países, incluindo o Brasil.
As igrejas neopentecostais, no entanto, só surgiram décadas depois, a partir da chamada “terceira onda” do pentecostalismo. Elas se diferenciam das igrejas pentecostais clássicas (como Assembleia de Deus) e das de segunda onda (como a Igreja do Evangelho Quadrangular) por uma teologia mais voltada à Teologia da Prosperidade, à batalha espiritual contra forças demoníacas e ao uso estratégico da mídia para evangelização.
Brasil neopentecostal
No Brasil, o neopentecostalismo começou a ganhar força a partir da década de 1970. Um marco importante foi a fundação da Igreja Universal do Reino de Deus, em 1977, por Edir Macedo, no Rio de Janeiro. Outras denominações surgiram nesse período, como a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), a Igreja Mundial do Poder de Deus (1998) e a Sara Nossa Terra (1976).
Internacionalmente, o neopentecostalismo também floresceu em países da África, América Latina e nos Estados Unidos. Igrejas como a Hillsong Church (Austrália), que combina elementos carismáticos com música contemporânea, e o Ministério Internacional da Fé (EUA), ligado a Kenneth Copeland, são exemplos da vertente fora do Brasil. A rápida expansão global é atribuída à adaptabilidade cultural e ao uso intensivo de rádio, televisão e internet.
Uma característica marcante das igrejas neopentecostais é o culto dinâmico, com ênfase em louvor vibrante, testemunhos e mensagens motivacionais. A experiência pessoal com Deus é central, e há forte incentivo para a aplicação prática da fé na vida diária, especialmente em questões de saúde, finanças e relacionamentos.
O discurso da prosperidade
O discurso da prosperidade, muitas vezes criticado por outras tradições cristãs, é baseado na interpretação de que a fé e as ofertas a Deus resultam em bênçãos materiais. Além disso, o ensino sobre batalha espiritual propõe que muitos problemas têm origem em forças malignas, sendo necessário combatê-las com oração e autoridade espiritual.
A relação das igrejas neopentecostais com outras tradições protestantes é complexa. Embora compartilhem raízes na Reforma, muitas denominações históricas criticam a teologia e as práticas neopentecostais por considerá-las excessivamente materialistas ou espetaculares. Por outro lado, líderes neopentecostais argumentam que seu modelo de fé é mais próximo da realidade vivida pelas populações, especialmente em países em desenvolvimento.
Hoje, o neopentecostalismo é uma das vertentes que mais crescem no cristianismo global. Ele ocupa espaço significativo na política, na mídia e na cultura popular, especialmente no Brasil, onde igrejas como a Universal e a Assembleia de Deus formam grandes redes de comunicação e influência. Ao mesmo tempo, a sua ascensão provoca debates teológicos e sociais sobre os rumos do cristianismo contemporâneo.
