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Drácula de Besson: o amor e melancolia eterna

Drácula de Besson: o amor e melancolia eterna
Foto: Pixabay

Drácula: Uma História de Amor, novo filme de Luc Besson, propõe uma releitura ousada do famoso mito vampírico, misturando romantismo gótico com elementos contemporâneos de melancolia e introspecção. Ao contrário de muitas versões recentes, esta produção investe no lado mais humano e trágico do Conde Drácula, privilegiando os sentimentos e os dilemas internos do personagem.

É inevitável lembrar o clássico Drácula de Bram Stoker (1992), dirigido por Francis Ford Coppola. A estética barroca, a paixão dilacerante e o erotismo sombrio marcaram o filme de Coppola como uma das adaptações mais icônicas da obra original. Besson, no entanto, opta por uma narrativa mais contida e íntima, onde a grandiosidade cede espaço à contemplação e ao silêncio.

Ambos os filmes exploram a ideia do amor que atravessa o tempo, mas em Drácula: Uma História de Amor, o foco não está apenas na busca pelo reencontro com a amada, e sim no peso das escolhas feitas ao longo dos séculos. A imortalidade aqui não é uma dádiva, mas um fardo existencial.

O Drácula de Besson

Luc Besson constrói seu filme com uma linguagem visual elegante e minimalista, apostando na fotografia soturna e em diálogos carregados de subtexto. O ritmo é deliberadamente lento, convidando o espectador a mergulhar na solidão do protagonista, sem pressa de encontrar respostas fáceis.

A atuação do protagonista é um dos pontos altos. Em vez de um Drácula ameaçador e dominador, temos um ser frágil, preso a memórias e arrependimentos. A interpretação contida reforça o tom dramático da história e dá profundidade a um personagem tantas vezes reduzido ao estereótipo do monstro sedutor.

Trilha sonora e a beleza visual

A trilha sonora, discreta e melancólica, acompanha perfeitamente essa abordagem mais emocional e introspectiva. Ela não busca criar sustos ou tensão, mas evocar sentimentos de perda, desejo e nostalgia — sentimentos que ressoam com força no subtexto do romance original de Bram Stoker.

Diferente da exuberância visual e teatralidade do filme de Coppola, Besson aposta em uma beleza mais crua e emocional. É uma história de amor marcada pelo tempo e pela dor, mais próxima de uma tragédia grega do que de um conto de horror convencional.

Drácula: Uma História de Amor não é um filme para quem espera ação ou sustos fáceis. É uma meditação poética sobre o amor, o tempo e a condição humana, feita por um cineasta que prefere sugerir em vez de mostrar. Uma abordagem que honra o mito de Drácula por um caminho totalmente novo.

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