Desde os primeiros séculos da Igreja, o nome Leão foi escolhido por vários pontífices, carregando consigo a simbologia da força, da vigilância e da realeza espiritual. Ao longo da história, treze papas adotaram esse nome, com pontificados que se estenderam do século V até o século XIX. O primeiro e mais célebre deles foi São Leão I, o Magno, que governou de 440 a 461 e foi um dos mais influentes papas da Antiguidade. Defensor da ortodoxia católica, combateu heresias como o monofisismo e ficou conhecido por sua firmeza diante de Átila, o Huno, a quem convenceu a não invadir Roma.
Seguindo seus passos, Leão II reinou brevemente entre 682 e 683. De origem siciliana, ele é lembrado por confirmar os decretos do Terceiro Concílio de Constantinopla, que condenaram o monotelismo. Seu curto pontificado, embora discreto, manteve o espírito reformador e doutrinário do seu predecessor. Já Leão III, papa entre 795 e 816, entrou para a história ao coroar Carlos Magno como imperador do Sacro Império Romano-Germânico no Natal do ano 800 — gesto que consolidou a aliança entre o papado e o poder temporal europeu.
O nome Leão continuou a ser adotado ao longo dos séculos. Leão IV (847–855) ficou conhecido por suas obras defensivas, como os muros que protegeram a Cidade Leonina no Vaticano. Ele também foi responsável por fortalecer a moral cristã em tempos de ameaça sarracena. Leão V, por sua vez, teve um pontificado efêmero em 903 e foi deposto em um período conturbado de forte instabilidade política em Roma.
Leão VI (928–929) e Leão VII (936–939) tiveram pontificados igualmente curtos e inseridos num contexto de domínio aristocrático sobre o papado. Apesar da limitação de poder, o papa buscou alianças com o Império Germânico e defendeu reformas monásticas. Leão VIII, que reinou de 963 a 965, é uma figura controversa, pois foi imposto pelo imperador Otão I em meio a disputas sobre a autoridade papal, sendo por vezes considerado antipapa por alguns estudiosos.
Papas renascentistas
Nos séculos seguintes, o nome voltou a ganhar destaque com Leão IX (1049–1054), um dos grandes reformadores medievais. Ele combateu com firmeza a simonia e o nicolaísmo e enfrentou o Patriarcado de Constantinopla, sendo protagonista da cisão entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente em 1054. A divisão, conhecida como Cisma do Oriente, marcou o fim da unidade cristã medieval. Foi canonizado por sua contribuição à renovação espiritual da Igreja.
Já no período renascentista, Leão X (1513–1521), membro da poderosa família Médici, simbolizou a pompa e o esplendor da Roma renascentista. Seu pontificado, marcado por mecenato artístico e luxo, também ficou associado à venda de indulgências, um dos estopins da Reforma Protestante. Seu sucessor homônimo, Leão XI, reinou apenas 27 dias em 1605 e ficou conhecido como o “papa de um mês”.
Leão XIII da Rerum Novarum
Por fim, Leão XII (1823–1829) e Leão XIII (1878–1903) encerraram a linhagem dos papas de nome Leão até hoje. Leão XII adotou uma postura conservadora e buscou restaurar a moral pública, enquanto Leão XIII, um dos mais importantes pontífices modernos, ficou célebre pela encíclica Rerum Novarum (1891), que inaugurou a doutrina social da Igreja. Ele procurou dialogar com o mundo moderno, abordando as questões sociais e trabalhistas do nascente capitalismo industrial.
O papa atual, Leão XIV
Mais de um século depois, em 8 de maio de 2025, o nome foi revivido com a eleição de Leão XIV, o ex-cardeal Robert Prevost. Seu pontificado começou em um momento de grandes desafios para a Igreja contemporânea, incluindo a missão de continuidade das reformas iniciadas por seus predecessores imediatos, sobretudo no campo da sinodalidade, transparência e diálogo com o mundo moderno.
