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Cientistas reconstroem tatuagens de múmia

Inúmeras culturas desenvolveram e praticam a arte da tatuagem há pelo menos 5.000 anos. Entre os exemplos mais famosos estão Ötzi, o Homem do Gelo, encontrado congelado nos Alpes com 61 tatuagens , e a múmia Chinchorro, do antigo Chile, marcada com pontos pretos semelhantes a bigodes, que se acredita serem tatuagens abaixo do nariz.

Apesar de sua banalidade, tatuagens antigas são difíceis de estudar. Cientistas têm se baseado em múmias tatuadas para vislumbrar as origens dessa forma de arte. Mas as tatuagens em suas peles frequentemente desbotam ou ficam invisíveis devido ao processo de mumificação, limitando o que os pesquisadores podem extrair delas.

O auxílio da tecnologia

Porém, novas tecnologias estão ajudando a trazer essas tatuagens antigas de volta à vida. Uma equipe internacional de pesquisadores utilizou fotografia infravermelha próxima de alta resolução para reconstruir as tatuagens de uma mulher mumificada, preservadas no permafrost siberiano por cerca de 2.000 anos. Eles também determinaram quais ferramentas foram usadas para criar os desenhos em seu corpo, além de avaliar o nível de habilidade do tatuador.

Uma tomografia e a análise subsequente revelaram tatuagens nas mãos e antebraços da múmia. Suas mãos eram decoradas com pássaros e outros pequenos motivos, enquanto seus antebraços serviam como tela para cenas complexas retratando animais semelhantes a renas sendo caçados por tigres, leopardos e até mesmo um animal de quatro patas com bico que lembra um grifo.

Como as tatuagens eram feitas?

Os pesquisadores dizem que a descoberta ajuda a responder a um debate sobre como as tatuagens Pazyryk eram feitas. Teriam sido criadas por meio de costura, o que chamamos de tatuagem subdérmica, em que o pigmento é transportado por um fio ou por meio punções com um pedaço de madeira afiado.

Os tatuadores provavelmente também usaram ferramentas de ponta única e múltiplas pontas para obter efeitos diferentes. Para sustentar suas alegações, Gino Caspari, arqueólogo do Instituto Max Planck de Geoantropologia, cita um estudo de campo conduzido por seu colega: o indivíduo fez uma tatuagem na perna usando o método de cutucada manual para ver como essas tatuagens cicatrizavam.

Caspari acrescentou que dois tatuadores diferentes trabalharam nesta mulher, ou que um tatuador fez o trabalho no início da carreira e, posteriormente, após aprimorar suas habilidades. Apesar das diferenças de detalhes entre os dois braços, o estudo sugere que mesmo a mais básica das tatuagens desta múmia não seria fácil para os tatuadores de hoje.

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