A Exposição Orixás da Bahia é uma das mais importantes mostras permanentes dedicadas à valorização da cultura afro-brasileira, com foco especial nas tradições religiosas do candomblé e da umbanda. Inaugurada em 1973, a exposição celebra a presença viva dos orixás — divindades de origem africana que chegaram ao Brasil com os povos escravizados e que aqui se enraizaram, moldando parte fundamental da religiosidade, da arte e da identidade do povo baiano. Ao unir arte e espiritualidade, a mostra oferece uma poderosa experiência estética e simbólica que convida à reflexão sobre ancestralidade, resistência e fé.
Idealizada por D. Elyette Magalhães, a exposição conta com 16 esculturas em tamanho natural dos orixás, esculpidas com grande detalhamento pelo artista plástico Alecy Azevedo, utilizando a técnica de papel machê. Essa escolha de material, ao mesmo tempo leve e resistente, permitiu que as esculturas fossem modeladas com expressividade e riqueza de detalhes, representando com fidelidade as indumentárias, objetos sagrados e características de cada divindade. O trabalho de Alecy se destaca pela sensibilidade com que soube traduzir para o tridimensional o universo simbólico das religiões de matriz africana.
As estátuas estão abrigadas na Galeria Juarez Paraíso, localizada em Salvador, e o espaço foi cuidadosamente pensado para valorizar o significado de cada peça. A curadoria da mostra é assinada por Maurício Martins, artista visual, cenógrafo, figurinista e aderecista, cuja trajetória é marcada pelo envolvimento com produções culturais que celebram a estética afro-brasileira. Martins teve como missão atualizar a apresentação da exposição, respeitando seus valores históricos e espirituais, ao mesmo tempo em que propõe uma leitura artística contemporânea para os visitantes.
Um aspecto fundamental da exposição é sua consultoria religiosa, realizada por membros do Terreiro do Gantois, uma das mais tradicionais casas de candomblé do Brasil. Essa colaboração garantiu a legitimidade simbólica e espiritual das representações, alinhando cada detalhe das esculturas com os preceitos e fundamentos da religião. Na década de 1980, a yalorixá Mãe Menininha do Gantois, uma das mais respeitadas líderes religiosas do país, foi responsável por vestir os orixás, imprimindo nas peças não apenas um rigor estético, mas também a força espiritual de sua liderança.
O papel educativo da Exposição Orixás
A importância da mostra vai além de sua dimensão artística ou religiosa. A Exposição Orixás da Bahia também cumpre um papel educativo e cultural, ajudando a combater o preconceito religioso ao divulgar, com beleza e respeito, a riqueza do universo afro-brasileiro. Ao oferecer ao público uma experiência sensorial e informativa, a mostra contribui para o fortalecimento da autoestima de descendentes africanos e para o reconhecimento da diversidade religiosa do Brasil como um patrimônio a ser protegido e valorizado.
Com mais de cinco décadas de existência, a exposição continua atual e necessária. Em um momento em que a intolerância religiosa ainda atinge terreiros e praticantes das religiões afro, a visibilidade proporcionada por mostras como essa é uma forma de resistência e afirmação. Visitar a Exposição Orixás da Bahia é não apenas um mergulho na arte e na espiritualidade afro-brasileira, mas também um ato de reverência a uma herança que moldou e segue moldando a alma da Bahia e do Brasil.
Serviço:
Exposição fixa Orixás da Bahia
Visitação: de terça a sexta, de 13h às 18h. Aos sábados, 13h às 17h.
Espaço Cultural da Barroquinha.
Rua do Couro, s/n, Barroquinha
Entrada Gratuita
Mais informações neste link.
Telefone: 71 3302-7881
