Cristino Gomes da Silva Cleto, mais conhecido como Corisco, foi uma das figuras mais emblemáticas do cangaço brasileiro. Nascido na Bahia em 1907, Corisco ficou conhecido por sua coragem, brutalidade e, sobretudo, por sua lealdade ao líder máximo do cangaço: Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião. Sua trajetória ficou marcada pela sede de vingança após a emboscada que dizimou o grupo de Lampião em 1938, quando prometeu retaliar aqueles que mataram seu chefe e amigo.
Antes de se unir ao cangaço, Corisco era vaqueiro, mas uma acusação injusta de crime o lançou no mundo da ilegalidade. Foi Lampião quem lhe deu o nome de guerra e o apelido de “Diabo Loiro”, em alusão aos cabelos claros e à fúria com que atacava. Corisco se destacou por sua inteligência e liderança, ganhando o respeito do bando e se tornando o segundo homem mais importante do grupo.
Um dos aspectos mais conhecidos da história de Corisco é sua relação com Dadá, nome de batismo de Sérgia Ribeiro da Silva. Ela foi raptada por ele ainda adolescente, mas, com o tempo, passou de vítima a companheira fiel, se tornando a única mulher do cangaço a empunhar armas ao lado dos homens. Juntos, formavam um casal temido e respeitado, e Dadá teve papel fundamental na sobrevivência do grupo após Angico.
Corisco e a morte de Lampião em Angico
A tragédia de Angico, ocorrida em 28 de julho de 1938, marcou o fim de Lampião, Maria Bonita e vários cangaceiros, abatidos por uma emboscada das volantes (forças policiais). Corisco não estava presente no acampamento no momento do ataque, o que lhe salvou a vida. Quando soube do massacre, jurou vingança contra os traidores e policiais envolvidos, iniciando uma campanha brutal de retaliação, assassinando familiares de cangaceiros desertores e atacando vilarejos. Por isso, passou a ser conhecido como “O Vingador de Lampião”.
Nos anos seguintes, Corisco viveu em constante fuga, cada vez mais cercado, até ser finalmente localizado em 25 de maio de 1940, na Bahia, por uma volante comandada pelo tenente Zé Rufino. Gravemente ferido durante o tiroteio — com balas que lhe destruíram a perna —, foi capturado e levado para o hospital de Salvador, onde morreu no dia seguinte, aos 33 anos. Seu fim simbolizou o crepúsculo do cangaço.
Dadá sobreviveu ao ataque, sendo presa e, anos mais tarde, se tornou uma importante defensora da memória dos cangaceiros. Corisco, com sua fúria vingativa, amor por Dadá e lealdade a Lampião, permanece como uma figura trágica e lendária do sertão nordestino, o último lampejo do cangaço armado.
