Aluísio Azevedo foi um dos principais nomes da literatura brasileira do século XIX, notabilizando-se como o grande introdutor do Naturalismo no Brasil. Nascido em São Luís do Maranhão em 14 de abril de 1857, teve uma vida marcada por mudanças geográficas e profissionais. Começou sua carreira como caricaturista no Rio de Janeiro, mas logo se voltou para a literatura, impulsionado pelo desejo de retratar com realismo as tensões sociais de seu tempo. Em sua obra, é possível ver a transição do Romantismo para o Naturalismo, estilo com o qual mais se identificou.
Na vida pessoal, Aluísio era filho ilegítimo de um vice-cônsul português com uma mestiça maranhense, o que contribuiu para seu olhar crítico sobre as desigualdades raciais e sociais do Brasil. Foi irmão do também escritor Artur Azevedo. Sua vivência no Maranhão e depois no Rio de Janeiro influenciou fortemente os cenários e personagens de suas obras. Além da literatura, seguiu carreira diplomática, tendo servido como cônsul em países como Argentina, Japão e Espanha, o que acabou afastando-o da produção literária nos últimos anos de vida. Morreu em Buenos Aires, em 1913, deixando um legado literário robusto.
Os grandes livros de Aluísio Azevedo
Entre seus livros mais emblemáticos e que estão em domínio público, destaca-se O Mulato (1881), considerado o marco inicial do Naturalismo no Brasil. A obra denuncia o racismo e a hipocrisia da sociedade maranhense por meio da história de Raimundo, um jovem mulato que enfrenta preconceito por sua origem racial. O romance critica ferozmente a Igreja, o sistema escravocrata e os valores da elite provinciana, em uma linguagem direta e sem idealizações.

Outro grande título é O Cortiço (1890), provavelmente sua obra mais famosa. Ambientado num cortiço carioca, o livro retrata a vida miserável e brutalizada dos moradores, explorando temas como promiscuidade, alcoolismo, ambição e decadência. É uma radiografia da sociedade urbana brasileira da época, com personagens que agem movidos por instintos, influenciados pelo meio e pela hereditariedade — princípios centrais do Naturalismo. A obra é ainda um estudo social das transformações urbanas do Rio de Janeiro.
Casa de Pensão (1884) também se insere nessa linha de crítica social. O livro narra a história de Amâncio, um jovem provinciano que se envolve em tramas de intrigas e sedução ao se mudar para o Rio de Janeiro. Azevedo aborda a decadência moral de certos ambientes urbanos e a manipulação feminina, mas com um olhar analítico sobre o impacto do meio nos indivíduos.
A crítica social
Além desses, vale mencionar O Homem (1887) e O Esqueleto (1890), obras menos conhecidas, mas que também seguem a estética naturalista. Ambas abordam questões existenciais e psicológicas com uma perspectiva científica, refletindo a influência de autores como Émile Zola. Embora não tenham o mesmo alcance de O Cortiço, esses títulos contribuem para a compreensão da evolução da obra de Aluísio Azevedo e da literatura naturalista brasileira.
Com uma obra marcada pela crítica social, Aluísio Azevedo conseguiu retratar, como poucos, as contradições do Brasil do século XIX. Seus livros em domínio público continuam relevantes não apenas como documentos históricos, mas como peças literárias de grande valor artístico, capazes de provocar reflexões profundas sobre temas ainda atuais como racismo, desigualdade social e a luta de classes.
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